Anchieta

O espanhol José de Anchieta nasceu a 19 de março de 1534 na cidade de São Cristóvão da Laguna, Ilha de Tenerife, Canárias. Era filho de João López de Anchieta e de Mência Diaz de Clavijo y Llarena. Sebastião de Llarena, seu avô materno, era um judeu convertido, portanto um cristão-novo. Quando tinha 14 anos, José foi enviado a Coimbra, Portugal, para estudar, possivelmente também como forma de escapar a perseguições da violenta inquisição espanhola.

Anchieta ingressou como noviço na Companhia de Jesus em 1551. Em 1553 embarcou em Lisboa com destino ao Brasil após o padre Manuel da Nóbrega, Provincial dos Jesuítas, ter pedido mais braços para a atividade de evangelização no território. O primeiro destino de Anchieta em terras brasileiras foi a Bahia. Lá ficou por alguns meses antes de partir para a capitania de São Vicente, onde, viveram meus tetradecavós Garcia Rodrigues e Izabel Velho.

Em seus caminhos pelo sertão, enquanto catequizava os nativos, Anchieta aprendeu a língua tupi e compilou a primeira gramática de uma língua desse tronco. Participou ainda da fundação do Colégio de São Paulo, que seria o embrião da cidade de mesmo nome. Foi considerado santo em vida e faleceu a 9 de junho de 1597 na aldeia de Reritiba, hoje Anchieta, Espírito Santo.

Retrato do padre José de Anchieta – Benedito Calixto de Jesus – 1902 – Museu Paulista da USP

A campanha para a beatificação de José de Anchieta foi iniciada na Bahia em 1617 e nesse processo, nos anos de 1620, foram ouvidos vários moradores do Rio de Janeiro que o teriam conhecido ou teriam ouvido relatos a seu respeito. Entre esses moradores estava Antônio do Lago Prego, natural de Viana do Castelo, Portugal, filho de André Rodrigues do Lago e Madalena Gonçalves Prego, meus duodecavós maternos.

Antônio do Lago tinha aproximadamente 30 anos quando deu seu depoimento em 4 de maio de 1622. Não conhecera Anchieta, mas teria tido conhecimento de um milagre póstumo atribuído a ele: o do escravo Atanásio, que pertencia a sua sogra Maria da Cunha. Antônio do Lago e sua mulher Maria foram pais de Maria do Lago Prego (ca. 1632-1692), avós de Isabel Pereira do Lago (ca. 1661-?), bisavós de Luzia Monteiro (1682-?), trisavós de Paula Pereira Monteiro (1725-?), tetravós de Francisco Gomes Pereira (1764-1822) e pentavós de Maria Tereza da Paz (1791-1855), minha tetravó.


José Araújo é genealogista.