Desconstrução

Meus avós paternos emigraram de Portugal para o Brasil no início do século XX, tal como fizeram muitas outras famílias portuguesas antes e como fariam ainda outras até depois da metade daquele século. A narrativa que se costuma ouvir é de que Portugal era um país agrário e muito pobre, portanto seus cidadãos, por vezes trazendo toda a família, vinham para o Brasil à busca de condições de vida melhores. A suposição dessa narrativa é de que todos os emigrados eram pobres ou mesmo miseráveis, mas existem pistas que nos permitem desconstruir tal narrativa para nos aproximarmos dos factos.

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Herdeiro

No dia vinte e sete do mês de junho de mil oitocentos e sessenta e sete pelas duas horas da noite em uma casa sem número nesta freguesia de São João da Pesqueira, concelho da mesma, Diocese de Lamego, faleceu António Júlio Pinto Ferreira, solteiro, de idade pouco mais ou menos trinta e cinco anos, proprietário, Bacharel em Direito, natural da Pesqueira, meu paroquiano, morador na Rua de Albergaria; não recebeu Sacramento algum da Santa Madre Igreja Romana; não fez testamento e foi sepultado no cemitério público. Para constar lavrei em duplicado o presente assento, que assinei. Era ut supra.

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Salto

Existe uma complexidade no antigo sistema de nomeação português que costuma confundir os pesquisadores novatos. Se hoje a mulher casada pode receber o sobrenome/apelido do marido em substituição ao do pai, em séculos passados era costume que recebesse exclusivamente o da mãe ou da avó e os mantivesse durante a vida. Apenas os filhos homens herdavam os sobrenomes dos pais.

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