Ötzi

Em 19 de setembro de 1991, um casal alemão em férias nos Alpes, entre Suíça e Itália, deparou-se com o que parecia ser um cadáver cujo tronco emergia da camada de gelo. Eles anunciaram a descoberta ao proprietário de uma estalagem, que chamou a polícia. A suposição inicial era que se tratasse da morte acidental de um montanhista ocorrido talvez há uma década, mas o que se descobriu depois foi surpreendente: o corpo descoberto teria morrido há mais de 5.000 anos e havia sido naturalmente desidratado e mumificado pelo gelo. A múmia recebeu inicialmente diversos nomes, mas, pelo fato de a descoberta ter ocorrido nos Alpes de Ötztal, ela hoje é conhecida como Ötzi.

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Valongo

43 No dia 6 de abril corrente, desapareceu um moleque por nome José, nação Benguela, idade pouco mais ou menos 17 anos, com os sinais seguintes: gordo, baixo, bem retinto, com um ferro no pescoço e com três carimbos no peito que são JJS. Quem deste tiver notícia, dirija-se à Rua do Valongo nº 91 que se gratificará o seu trabalho. _ Jornal do Commercio, 16 de abril de 1830

A imagem abaixo apresenta o conteúdo original digitalizado, disponível no sítio da Hemeroteca Digital, do texto acima:

Avisos de escravos em fuga como esse eram bastante comuns no Rio de Janeiro do século XIX. E não era incomum que mencionassem como local de devolução do fugitivo algum endereço na Rua do Valongo, local onde havia um cais do mesmo nome para onde o vice-rei ordenou a transferência, em 1811, do desembarque dos africanos escravizados. Anteriormente, esse desembarque ocorria nas imediações da atual Praça XV e o comércio dos africanos se dava na Rua Direita, atual Primeiro de Março, então área nobre da cidade, para grande desagrado das autoridades.

Nas imediações do novo cais estabeleceu-se um conhecido complexo para comercialização de escravos cujas infames características foram registradas, por exemplo, pelo artista Jean-Baptiste Debret (1768-1848), integrante da Missão Artística Francesa. O complexo durou até 1831, quando foi desativado devido à pressão da Inglaterra pela proibição do tráfico, pressão essa que não resolveu a questão, pois o desembarque passou a ocorrer em praias remotas, longe dos olhos das autoridades.

Vários aterros e reurbanizações apagaram os vestígios do cais até que fosse novamente exposto durante as obras de revitalização da zona portuária da cidade no início da segunda década do século XX. Em 2017, o sítio arqueológico recebeu o título de patrimônio mundial da UNESCO. As fotos abaixo, de minha autoria, foram feitas no local do sítio em 2018.

Estima-se que o cais do Valongo foi a porta de entrada para mais de um milhão de africanos escravizados e trazidos para o Brasil. Seus descendentes talvez desconheçam esse facto, mas podem visitar o local, que compõe – junto com a Pedra do Sal e o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN) – o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana.


José Araújo é linguista e genealogista.

Flores

Descendentes de europeus que chegaram no Brasil a partir da segunda metade do século XIX – mais especificamente entre entre 1883 e 1932 – podem ter ouvido histórias sobre a Hospedaria da Ilha das Flores, localizada na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Nesse local eram recebidos os imigrantes que aguardavam uma oferta de emprego, os que esperavam o transporte para um emprego já garantido e também os que necessitavam de tratamento médico. A ilha propriamente dita, que anteriormente fora conhecida como de Santo Antônio, do Martins, Meruhi e Marim, deve seu nome atual ao nome de uma de suas proprietárias – Delfina Felicidade do Nascimento Flores -, que deve tê-la adquirido no início do século XIX, muito antes que o governo enxergasse seu potencial.

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Escrava

É comum acreditar que famílias estabelecidas há séculos no Brasil tenham em sua composição genética elementos dos três grandes grupos formadores: o indígena, o europeu e o africano. Pelo mesmo raciocínio, isso não ocorreria em famílias estabelecidas mais recentemente, por volta do século XX, por exemplo, nas quais um desses elementos poderia existir de forma exclusiva – caso de minha família paterna. Mas a realidade é mais complexa do que pode parecer, pois esse raciocínio se baseia na crença de que os elementos indígena e africano (escravizado) estavam presentes apenas no Brasil. Como talvez você já saiba – ou deva ter deduzido – o raciocínio está equivocado e precisa ser desconstruído.

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Festeiros

Ao completar 67 anos, Silvino de Azeredo reuniu em sua casa, na Rua Capitão Chaves, nº 14, um grupo expressivo de pessoas amigas da Família Azeredo e que, ao mesmo tempo, representavam, naquela comemoração festiva, algumas das principais famílias da sociedade iguaçuana da época. A foto, de 17 de junho de 1926, mostra o grupo formado durante a festa, em que não aparece o aniversariante e sua esposa, D. Filhinha, mas que nos revela um pequeno regional, todos sentados, a nos informar que o que não faltou no aniversário de Silvino de Azeredo foi música e dança. No grupo então formado, em frente à residência do fundador do Correio da Lavoura, vemos, entre os que puderam ser identificados: Toné Pereira Belém

CORREIO DA LAVOURA. Os 67 anos de Silvino de Azeredo. 20/03/2019.
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Dicionário

O Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico de Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues foi publicado em Portugal entre 1904 e 1912. A obra contém uma minuciosa descrição histórica de todas as cidades, vilas e outras povoações de Portugal continental e também das ilhas e territórios dominados por Portugal nos outros continentes.

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