Instantâneo

A base da pesquisa genealógica é a pesquisa documental em registos paroquiais, testamentos e matérias de jornais, entre outras fontes, muitas das quais estão disponíveis para pesquisa em bancos de dados que oferecem acesso a imagens digitalizadas dos originais. Como já demonstrei em várias postagens aqui no blogue, a pesquisa nesses bancos de dados pode oferecer mais que apenas datas e informações de parentesco. Algumas evidências documentais encontradas revelam-se verdadeiros instantâneos dos personagens de um ramo familiar.

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Variações

O pesquisador afoito e inexperiente pode ter uma impressão de verdadeiro caos ao tentar fazer sentido do sistema de aplicação dos apelidos/sobrenomes em assentos paroquiais portugueses dos séculos passados. Fora a estabilidade relativa de herança por costado – filhas herdam o apelido da mãe e filhos, do pai – havia condições intervenientes que poderiam trazer mais variação ao sistema, como a recuperação de um apelido antigo em função do recebimento de uma herança em que se obrigava o herdeiro a adotar o apelido do proprietário dos bens.

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Lembrança

Um facto da vida que o genealogista amador descobre em pouco tempo é que os párocos de outrora tinham péssima grafia. Outro facto, que talvez seja descoberto por acaso, é que aqueles párocos eram atarefados e nem sempre faziam imediatamente os registos nos livros paroquiais. Há inúmeros casos de párocos que anotavam as informações dos sacramentos em folhas avulsas que poderiam ficar perdidas ou esquecidas. Nem é preciso muita imaginação para perceber o risco envolvido nisso.

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Extemporâneo

Em minhas pesquisas em assentos paroquiais de batismo, já encontrei alguns casos interessantes, como o de escravos batizados na idade adulta, certamente pela necessidade de serem convertidos à fé cristã depois de trazidos à força desde o outro lado do Atlântico. Mas encontrei também outros casos – que avalio como curiosos – de batismos não tão tardios, mas realizados depois do prazo previsto pelos costumes da Igreja.

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Escrava

É comum acreditar que famílias estabelecidas há séculos no Brasil tenham em sua composição genética elementos dos três grandes grupos formadores: o indígena, o europeu e o africano. Pelo mesmo raciocínio, isso não ocorreria em famílias estabelecidas mais recentemente, por volta do século XX, por exemplo, nas quais um desses elementos poderia existir de forma exclusiva – caso de minha família paterna. Mas a realidade é mais complexa do que pode parecer, pois esse raciocínio se baseia na crença de que os elementos indígena e africano (escravizado) estavam presentes apenas no Brasil. Como talvez você já saiba – ou deva ter deduzido – o raciocínio está equivocado e precisa ser desconstruído.

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Lendas

Sempre ouvi dizer que esta Santa em Vida foi muito mal tratada pelo homem. E que depois de estar sepultada mais de sete anos, o cunhado, que era o coveiro, ao abrir a cova para enterrar lá outro familiar, viu que a mulher estava em carne viva. Chamou então lá o homem dela, e conta-se que ele foi lá com um sacho e que lhe disse:
— Ó grande p…, ainda aí estás?
E deu-lhe com o sacho. Foi assim que ouvi.

PARAFITA, Alexandre Património Imaterial do Douro – Narrações Orais (contos, lendas, mitos) Vol. 1 Peso da Régua, Fundação Museu do Douro, 2007 , p.133-134
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