Valongo

43 No dia 6 de abril corrente, desapareceu um moleque por nome José, nação Benguela, idade pouco mais ou menos 17 anos, com os sinais seguintes: gordo, baixo, bem retinto, com um ferro no pescoço e com três carimbos no peito que são JJS. Quem deste tiver notícia, dirija-se à Rua do Valongo nº 91 que se gratificará o seu trabalho. _ Jornal do Commercio, 16 de abril de 1830

A imagem abaixo apresenta o conteúdo original digitalizado, disponível no sítio da Hemeroteca Digital, do texto acima:

Avisos de escravos em fuga como esse eram bastante comuns no Rio de Janeiro do século XIX. E não era incomum que mencionassem como local de devolução do fugitivo algum endereço na Rua do Valongo, local onde havia um cais do mesmo nome para onde o vice-rei ordenou a transferência, em 1811, do desembarque dos africanos escravizados. Anteriormente, esse desembarque ocorria nas imediações da atual Praça XV e o comércio dos africanos se dava na Rua Direita, atual Primeiro de Março, então área nobre da cidade, para grande desagrado das autoridades.

Nas imediações do novo cais estabeleceu-se um conhecido complexo para comercialização de escravos cujas infames características foram registradas, por exemplo, pelo artista Jean-Baptiste Debret (1768-1848), integrante da Missão Artística Francesa. O complexo durou até 1831, quando foi desativado devido à pressão da Inglaterra pela proibição do tráfico, pressão essa que não resolveu a questão, pois o desembarque passou a ocorrer em praias remotas, longe dos olhos das autoridades.

Vários aterros e reurbanizações apagaram os vestígios do cais até que fosse novamente exposto durante as obras de revitalização da zona portuária da cidade no início da segunda década do século XX. Em 2017, o sítio arqueológico recebeu o título de patrimônio mundial da UNESCO. As fotos abaixo, de minha autoria, foram feitas no local do sítio em 2018.

Estima-se que o cais do Valongo foi a porta de entrada para mais de um milhão de africanos escravizados e trazidos para o Brasil. Seus descendentes talvez desconheçam esse facto, mas podem visitar o local, que compõe – junto com a Pedra do Sal e o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN) – o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana.


José Araújo é linguista e genealogista.

Festeiros

Ao completar 67 anos, Silvino de Azeredo reuniu em sua casa, na Rua Capitão Chaves, nº 14, um grupo expressivo de pessoas amigas da Família Azeredo e que, ao mesmo tempo, representavam, naquela comemoração festiva, algumas das principais famílias da sociedade iguaçuana da época. A foto, de 17 de junho de 1926, mostra o grupo formado durante a festa, em que não aparece o aniversariante e sua esposa, D. Filhinha, mas que nos revela um pequeno regional, todos sentados, a nos informar que o que não faltou no aniversário de Silvino de Azeredo foi música e dança. No grupo então formado, em frente à residência do fundador do Correio da Lavoura, vemos, entre os que puderam ser identificados: Toné Pereira Belém

CORREIO DA LAVOURA. Os 67 anos de Silvino de Azeredo. 20/03/2019.
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Dicionário

O Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico de Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues foi publicado em Portugal entre 1904 e 1912. A obra contém uma minuciosa descrição histórica de todas as cidades, vilas e outras povoações de Portugal continental e também das ilhas e territórios dominados por Portugal nos outros continentes.

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Judiciário

A base do Acervo Judiciário do Arquivo Nacional do Brasil contém documentos de diversos órgãos do Poder Judiciário brasileiro. Podem-se encontrar nela processos de habilitação para casamento; processos referentes a registros de nascimento, casamento e óbito, entre muitos outros. A base é abrangente em termos da quantidade de fontes disponíveis e do período de tempo coberto, porém não contém registros mais recentes.

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Imigração

O povo brasileiro como o conhecemos hoje foi construído graças à imigração – voluntária ou involuntária – e à miscigenação. A imigração involuntária deu-se durante os primeiros anos da colônia com a chegada dos indesejáveis da corte e, logo depois, com a crescente importação de milhões de africanos capturados e escravizados. A imigração voluntária deu-se ao longo da história e, principalmente, com a transferência da corte para a América como resultado das invasões napoleônicas.

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