Forros

Em texto anterior falei sobre a importância dos processos matrimoniais, que podem trazer informações valiosas sobre os ramos familiares mais antigos, dos quais provavelmente não reste memória entre parentes vivos e talvez nem mesmo restem livros que possam ser pesquisados nas paróquias ou no FamilySearch. Encontrar um desses processos pode também depender de sorte e só posso usar essa palavra para relatar a alegria que tive por encontrar o que apresento a seguir: o processo pelo qual se casaram meus hexavós maternos Manoel Veloso de Carvalho e Fermiana Maria Xavier. Falei deles no texto anterior, portanto este texto é a continuação que prometi lá.

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Escórcios

A tradição (Silva Leme, Genealogia Paulistana) informa que Manoel da Luz Escórcio Drummond era natural da Ilha da Madeira e que de lá veio com “sua mulher, três filhas e um filho” para o Brasil, estabelecendo-se inicialmente em São Vicente, onde enviuvou, casou-se novamente e de lá saiu para o Rio de Janeiro com a filha Maria Escórcia e o genro João de Sousa Pereira, que passou à posteridade com a alcunha de o Botafogo. Silva Leme não menciona outros filhos de Manoel da Luz além de Maria e tampouco informa o nome de suas mulheres. Carlos Rheingantz, autor de uma obra fundamental sobre a genealogia fluminense, documentou apenas parte da descendência de Maria Escórcia e João Pereira de Sousa, sem mais detalhar o ramo familiar de Manoel da Luz. E assim esse personagem fundou um dos troncos mal documentados das genealogias paulista e fluminense.

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Cotas

As mídias brasileiras divulgaram há semanas o caso de um estudante cotista que teve sua vaga cancelada após uma comissão interna de sua instituição de ensino constatar que ele não preenchia um dos critérios de elegibilidade para a cota, que no caso seria apresentar “a cor da pele, os traços faciais e a textura do cabelo” esperados dos “candidatos que se autodeclaram negros“. O estudante, que havia se identificado como pardo, tornou-se mais uma vítima de um problema que infelizmente reacende o questionamento sobre a validade do regime aprovado pela Lei nº 12.711/2012. No fundo de todos os casos como o dele parece existir uma grande ignorância sobre a necessidade desse regime, e, mais especificamente, sobre a História e a realidade das pessoas pardas, que hoje constituem a maior parte da população brasileira. Mas vamos por partes, pois o tema é complexo, demanda algum conhecimento histórico e não se pretende aqui de modo nenhum exaurir sua discussão.

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