Figa

Fiz as fotografias que ilustram este texto em junho de 2025, quando estive na exposição Afro-brasilidade, realizada pela FGV Arte no Rio de Janeiro. Nelas destacam-se as figas, objetos com os quais convivi durante a infância e dos quais ainda tenho memórias, em especial de uma pequena, de madeira clara. Não me lembro por que havia figas em casa, mas tenho uma vaga recordação de que teriam algo a ver com proteção. A presença das figas em uma exposição cujo tema diz respeito a um dos elementos mais importantes da brasilidade poderia sugerir que elas guardam uma relação íntima com nossas matrizes africanas. Mas seria isso mesmo?

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Geração

No dia 13 de agosto de 1591, Gaspar da Palma, “sacerdote cônego” da cidade de Salvador, compareceu à residência de Heitor Furtado de Mendonça, “sem ser chamado”, para “denunciar coisas tocante ao Santo Ofício”. Heitor era o visitador da Inquisição e fora enviado à capital da colônia para vigiar, investigar e punir desvios religiosos e morais que ameaçavam a ortodoxia católica. Entre os tais desvios estavam os cometidos pelos cristãos-novos, judeus convertidos ou descendentes deles, de quem se suspeitava que mantivessem os costumes religiosos – rezas, preceitos dietéticos, preservação do dia santo (shabat) – que eram proibidos aos cristãos, fossem eles convertidos ou não. Em suas denúncias, Gaspar implicou vários membros da família do cirurgião cristão-novo Afonso Mendes – o mestre Afonso – , que viera para a colônia em 1557 com o governador-mor Mem de Sá trazendo a família que formara em Portugal com a cristã-nova Maria Lopes. Nessas denúncias encontramos várias informações de valor genealógico.

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Terceiros

Após a transferência da jovem cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro para o Morro do Castelo em 1567, as ordens religiosas começaram a se estabelecer nesse morro (jesuítas) e no seu entorno (beneditinos, franciscanos e carmelitas). Os pioneiros frades da Ordem Primeira de Nossa Senhora do Monte do Carmo chegaram à cidade em 1590 e se estabeleceram na antiga ermida de Nossa Senhora do Ó, que ficava diante da praia, onde depois passaria um dos principais eixos comerciais e políticos da cidade: a Rua Direita. Em 1611, eles receberam terras adjacentes onde começaram a construir seu convento em 1619. Além da Ordem Primeira, ali também se estabeleceu a Ordem Terceira do Carmo, fundada em 19 de julho de 1648, a qual se tornaria uma das instituições religiosas leigas mais antigas e socialmente importantes da história carioca.

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