Projeção

A mãe de Cora sempre dizia que o vento mexe com as crianças, que até as mais quietinhas voltam meio selvagens da rua depois de brincar. É isso que Cora sente agora, essa inquietação. Lá fora, rajadas de vento sacodem os pinheiros nos fundos de casa e passam pela lateral para se lançar contra o portão. Dentro dela, as preocupações também se agitam num turbilhão. Porque amanhã — se o dia amanhecer, se a tempestade der uma trégua — Cora vai registrar o filho. Ou talvez, e é isso que a preocupa de verdade, vá oficializar quem ele vai se tornar. Cora jamais gostou do nome Gordon. O jeito como começa com um estalo, que lembra uma bala rígida quebrando na boca, e termina com um baque, como se alguém largasse uma bolsa pesada no chão. Gor-don. Porém o que mais a incomoda é que agora ela vai ter de verter a bondade do filho nesse molde, na esperança de que ele seja forte o bastante para encontrar seu próprio formato dentro disso. Porque Gordon é um nome que passa de geração em geração na família do marido, e parece que é impossível ser de outro jeito.

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Arrobas

Em texto anterior, apresentei uma hipótese para a filiação de meu antepassado Miguel Veloso de Carvalho (ca. 1682- ca. 1760), que seria filho de João Veloso de Carvalho e de uma filha de Fernando Muniz Barreto e Maria Machado cujo nome ainda é ignorado. João Veloso parece ter sido um homem de muito poder na freguesia de Santo Antônio de Jacutinga, no Recôncavo da Guanabara, pois foram encontrados inúmeros registros paroquiais de batismo e casamento de pessoas escravizados que a ele pertenciam. Outro fator que parece atestar seu poder tem relação com a compra de terras que ele realizou em 19 de abril de 1671 e que foi registrada em uma escritura pública transcrita cem anos depois a pedido de Cristóvão de Souza Araújo. O documento que contém essa transcrição se encontra digitalizado e disponível para consulta no Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN) com a notação BI.15.2029. É dele que extraio o texto que apresento em seguida e que analiso pelo valor que apresenta para a compreensão de aspectos sociais e econômicos da vida local e em especial da vida desse meu antepassado.

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Enlaces

Em vídeo recente publicado em seu canal A Modista do Desterro, a historiadora da moda Pauline Kisner aborda os costumes de namoro, casamento e vida afetiva dos brasileiros ao longo dos séculos, estabelecendo como foco os costumes do século XIX. A estudiosa, no entanto, traz informações valiosas sobre costumes que devem ter operado também em séculos anteriores e que consigo relacionar a fatos das vidas de meus antepassados já documentados em mais de uma década de pesquisa genealógica.

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