Benin

O tráfico transatlântico deslocou de forma violenta mais de 12 milhões de seres humanos da África para as Américas e Europa. Desse total, estima-se que dois milhões não chegaram a desembarcar, tendo falecido no mar, para não mencionar que se desconhece o número dos que morreram nos deslocamentos dentro do próprio território africano. A quase totalidade desses sequestrados que desembarcou nas Américas jamais voltou a pôr os pés em seus territórios de origem e, em homenagem a eles, se instalou, na cidade de Uidá, no Benin, país da África Ocidental, um monumento chamado Porta do Não-Retorno. Não por acaso, Uidá teve um dos portos mais importantes e movimentados no tráfico transatlântico de africanos escravizados. E vem do Benin uma iniciativa que tem, entre outros vieses, um de reparação histórica pelo resgate do pertencimento para os descendentes dos sobreviventes dessa violência.

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Diligências

Diz André Ferreira, mercador de panos e morador na cidade de Braga, freguesia de São João do Souto, que ele deseja servir ao Santo Ofício em um dos cargos de familiar da Inquisição da cidade de Coimbra e porque tem as partes e suficiência para servir o dito cargo.

Assim inicia, em 1649, o registro das diligências para que o cidadão André Ferreira possa ocupar o cargo pretendido de familiar do Santo Ofício da Inquisição, um cargo que conferia distinção a quem o obtivesse naqueles tempos. Para ter seu pedido atendido, ele precisaria comprovar bons antecedentes próprios e familiares, o que significava não ter um histórico de problemas com a justiça, não realizar atividades mecânicas como as da lavoura ou de manufaturas e, principalmente, não apresentar mácula de sangue.

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Sociedade

Lino Lopes de Mattos, bacharel formado na Faculdade dos Sagrados Cânones pela Universidade de Coimbra e Pároco Colado da Freguesia da Conceição de Nossa Senhora de Guarapiranga, certifico que a presente Tábua está conforme com o estado presente da população desta freguesia em todas as distinções e declarações que vão nela, para cujo fim mandei fazer os exames que foram possíveis. Guarapiranga, 31 de dezembro de 1797, Lino Lopes de Mattos.

Assim descreve o pároco Lino Lopes o documento que mandou produzir para informar do censo populacional da freguesia de Guarapiranga, termo de Mariana, na província de Minas Gerais, nos últimos anos do século XVIII. Já tratei dessa freguesia em outro texto no qual abordei um ramo de minha família materna que lá se fixou após migrar de Taubaté, São Paulo, na primeira metade do referido século, provavelmente seguindo a promessa de riquezas – ouro e pedras preciosas.

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