Puzzilla

Os testes recreativos de DNA nos oferecem muito mais do que informações gerais sobre nossa ancestralidade genética – os percentuais de DNA africano, ameríndio, asiático ou europeu que herdamos de nossos ancestrais – ou uma lista de parentes próximos e distantes com quem compartilhamos esse DNA. Quem está na Genealogia há algum tempo sabe que esses testes nos dão também uma oportunidade única de desvendar mistérios sobre nossos antepassados e mesmo sobre figuras históricas. Quem há 50 anos imaginaria, por exemplo, que Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, descendia de uma mulher indígena? Ou ainda que Batira, filha do cacique Tibiriçá não era a única matriarca indígena das famílias paulistas mais antigas? Pois essas constatações só se tornaram possíveis porque pessoas comuns fizeram um teste de DNA por qualquer outra razão e permitiram que descobríssemos esses fatos. Existem outras descobertas como essas por fazer, mas elas exigem mais do que apenas a sorte de encontrar alguém que tenha feito um teste e tenha uma ascendência comum com uma figura histórica ou um casal fundador.

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Trilhos

Os trilhos da Estrada de Ferro Pedro II, depois Estrada de Ferro Central do Brasil, têm profunda ligação com minha família materna, pois foi por seu trajeto que meus antepassados e parentes migraram e se deslocaram entre os séculos XIX e XX. Essas migrações começaram na vila de Nossa Senhora da Piedade do Iguaçu, que teve sua origem em um povoamento do século XVII e foi elevada à categoria de freguesia em 1750, durante a gestão do Marquês de Pombal (1699-1782). Nessa vila, hoje conhecida como Iguaçu Velho, se casaram meus pentavós Francisco Gomes Pereira e Inácia Angélica de Moraes, fundadores do núcleo Gomes de Moraes.

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Benin

O tráfico transatlântico deslocou de forma violenta mais de 12 milhões de seres humanos da África para as Américas e Europa. Desse total, estima-se que dois milhões não chegaram a desembarcar, tendo falecido no mar, para não mencionar que se desconhece o número dos que morreram nos deslocamentos dentro do próprio território africano. A quase totalidade desses sequestrados que desembarcou nas Américas jamais voltou a pôr os pés em seus territórios de origem e, em homenagem a eles, se instalou, na cidade de Uidá, no Benin, país da África Ocidental, um monumento chamado Porta do Não-Retorno. Não por acaso, Uidá teve um dos portos mais importantes e movimentados no tráfico transatlântico de africanos escravizados. E vem do Benin uma iniciativa que tem, entre outros vieses, um de reparação histórica pelo resgate do pertencimento para os descendentes dos sobreviventes dessa violência.

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