Arcaico

Minha ascendência materna é que se costuma chamar de colonial, pois apresenta ramos que já se encontravam no Brasil desde o século XVI, compostos majoritariamente por portugueses dos Açores, da Madeira e de Portugal continental, mas incluindo também alguns espanhóis. Nos séculos seguintes, até o XIX, outros portugueses foram acrescentados, de forma que eles constituem a maior parte da minha ascendência, inclusive em meu ramo paterno, que é 100% português de imigração recente, no início do século XX. Esse perfil migratório se reflete na composição de meu DNA autossômico, cujo componente Ibérico varia de 61,8% a 73% a depender da calculadora que se use. Esses portugueses tiveram geração com mulheres africanas ou afrodescendentes – minha mãe, por exemplo – , o que se reflete nos 20% a 25% do componente não europeu de meu genoma, também a depender da calculadora empregada. Nesse cenário, me pareceu estranho que apenas uma calculadora – a Ethnos – houvesse detectado um componente ameríndio em meu DNA, ainda que eu saiba que essas ferramentas não são precisas.

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Proteção

A tradição de escolher padrinhos surgiu no século II d.C, quando os batismos infantis se tornaram populares. Até o século V d.C., eram os pais que declaravam a fé cristã de seus filhos, o que estes mesmos não poderiam fazer por pura incapacidade. A partir desse século, surgiu o costume de indicar terceiros, os quais assumiam a função de pais espirituais. Foi uma explicação assim – mais no sentido de pais substitutos – que ouvi de minha mãe quando lhe perguntei por que a irmã mais nova dela e o marido desta haviam sido escolhidos para meus padrinhos no batismo. Existem mais questões por trás desse costume, que parece trivial.

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Onomástica

Onomástica é o campo da Linguística dedicado ao estudo dos nomes próprios de lugares (toponímia) ou de pessoas (antroponímia), abrangendo suas origens, etimologia, classificação, transformações e aspectos sócio-históricos. O conhecimento desse campo é de vital importância na pesquisa genealógica, pois ele agrega um potencial preditivo que auxilia na construção de hipóteses nos incontáveis casos em que as fontes documentais são escassas ou inexistentes.

Apenas para abrir a discussão, cito o caso de um cliente que busca descobrir a identidade de seu pai biológico. O relato que ele recebeu e me repassou no início da investigação foi de que esse pai seria um homem de origem maranhense. O cliente fez um teste de DNA autossômico e pude encontrar evidências de que o relato poderia ser verídico ao observar que os matches não maternos apresentados pela plataforma do teste tinham sobrenomes frequentes em famílias nordestinas de origens coloniais.

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