Sociedade

Lino Lopes de Mattos, bacharel formado na Faculdade dos Sagrados Cânones pela Universidade de Coimbra e Pároco Colado da Freguesia da Conceição de Nossa Senhora de Guarapiranga, certifico que a presente Tábua está conforme com o estado presente da população desta freguesia em todas as distinções e declarações que vão nela, para cujo fim mandei fazer os exames que foram possíveis. Guarapiranga, 31 de dezembro de 1797, Lino Lopes de Mattos.

Assim descreve o pároco Lino Lopes o documento que mandou produzir para informar do censo populacional da freguesia de Guarapiranga, termo de Mariana, na província de Minas Gerais, nos últimos anos do século XVIII. Já tratei dessa freguesia em outro texto no qual abordei um ramo de minha família materna que lá se fixou após migrar de Taubaté, São Paulo, na primeira metade do referido século, provavelmente seguindo a promessa de riquezas – ouro e pedras preciosas.

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Guarapiranga

O arraial de Nossa Senhora da Conceição do Guarapiranga foi fundado em 1704 a partir do povoamento que, segundo alguns historiadores, surgiu em 1691 às margens do Rio Piranga na região das Minas Gerais. A primeira capela para o culto da Virgem Maria teria sido inaugurada nessas terras em dezembro de 1695. A Paróquia que a substituiu foi consagrada em 16 de fevereiro de 1718, sendo uma das cinco mais antigas do estado. A história desse arraial, que está relacionado a um ramo de minha família materna, está também relacionada ao ciclo do ouro, que moveu enormes levas de portugueses e brasileiros para a região na primeira metade do século XVIII. Entre os brasileiros havia grande participação dos paulistas, descendentes dos sertanistas que ficaram conhecidos como bandeirantes.

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Confidência

Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792) foi militar e dentista, pelo que ficou conhecido na posteridade como o Tiradentes. Mas o que realmente lhe deu esse conhecimento póstumo não foi sua vida militar ou sua habilidade de extrair dentes e sim uma conjunção de fatores intimamente relacionados. O primeiro desses fatores foi sua participação no movimento que almejava separar Minas Gerais – não o Brasil – da coroa portuguesa, que na visão dos separatistas espoliava os colonos por meio de impostos abusivos. Por essa participação, ele foi preso e condenado à morte e teve seu corpo esquartejado e exibido para servir de exemplo. O segundo fator teve a ver com a criação de uma data – a de morte de Joaquim, 21 de abril – para reverenciá-lo como herói nacional do povo brasileiro.

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