Alves

Um dos personagens misteriosos de minha árvore e de quem acredito descender por meu ramo materno se chama Felipe Nery de Moura. Ele nasceu na freguesia de Santo Antônio de Jacutinga, Rio de Janeiro, por volta de 1715, e faleceu na mesma freguesia em 17 de junho de 1802, quando era já viúvo de Páscoa Maria de Oliveira. Em texto anterior, sugeri que, além dos dois filhos já conhecidos do casal – José de Oliveira e Souza e Manoel de Moura Álvares – , haveria uma filha mais velha que faleceu solteira aos 40 anos de idade e que em adulta usava o mesmo nome de sua mãe. A filiação do patriarca Felipe segue ignorada e tentar descobri-la é o desafio que proponho com este texto.

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Felipe

Aos dezoito de junho de mil oitocentos e dois, em cova da Irmandade do Santíssimo desta freguesia de Santo Antônio de Jacutinga, foi sepultado Felipe Neri, viúvo, envolto e hábito de São Francisco, acompanhado pela sua irmandade do Santíssimo, por mim e mais um sacerdote. Faleceu com todos os sacramentos e foi encomendado. _ Averbação: Passei uma certidão de óbito de Felipe Neri de Moura a requerimento de seu filho, o tenente José de Oliveira Souza

Esse assento de óbito traz algumas informações importantes sobre o falecido que não ficam aparentes a uma leitura superficial. Em primeiro lugar, o falecido deveria ser alguém importante na freguesia de Jacutinga, pois pertencia à irmandade do Santíssimo Sacramento, que era costumeiramente associada às elites da terra. Em segundo lugar, a averbação feita à margem informa que Felipe Neri tinha o sobrenome Moura, que não foi escolhido por seu filho José na idade do crisma, podendo ser um sobrenome da família de Felipe ou ainda da mãe de José, o que não resta esclarecido, pois o assento não informa com quem o falecido havia sido casado, embora declare que era já viúvo em 1802.

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Fidedignidade

As obras de grandes genealogistas do passado como a de Frei Jaboatão, a de Pedro Taques, a de Rheingantz e a de Silva Leme são fundamentais para a construção das árvores genealógicas de boa parte dos brasileiros contemporâneos, mesmo para aqueles que se propõem a criá-las no FamilySearch, plataforma colaborativa onde um ramo criado pode se unir a outros já disponíveis e criados por terceiros a partir de referências obtidas nas tais obras. Para o bem da precisão, é preciso reconhecer que as grandes obras genealógicas não estão absolutamente corretas e podem conter erros de interpretação dos documentos originais. Outro aspecto que merece atenção é o fato de que elas nem sempre informam as datas e locais de nascimento, casamento e óbito dos membros das famílias nelas contidas. Este último é um aspecto que desperta meu interesse, pois dispor dessas informações é essencial para a construção de um relato histórico e familiar fidedigno. Um caso a que há algum tempo tenho me dedicado é o do cristão-novo Afonso Mendes, cirurgião-mor da corte portuguesa que veio para Salvador em 1557 na frota que trouxe Mem de Sá, o terceiro governador-geral do Brasil. Pouco se sabe sobre a vida dele antes da vinda para o Brasil e sobre a de seus familiares em Portugal e no Brasil, pois nenhuma obra genealógica do passado se dedicou inteiramente a eles. Por essas razões eu me predispus a reunir as pistas esparsas disponíveis para tentar construir um relato coerente.

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