Ocupações

Dentre as informações úteis que deveríamos buscar a respeito de nossos antepassados, uma das mais relevantes é a profissão ou ocupação que tiveram. A profissão pode informar das condições de vida da família, podendo mesmo trazer pistas sobre outros aspectos talvez não evidentes, como a origem étnica da pessoa. Assim, após descobrir que um antepassado foi identificado como barbeiro em documentos do Brasil do século XVIII, por exemplo, pode-se com alguma razão suspeitar de que ele tivesse ascendência africana. Da mesma forma, encontrar um antepassado identificado como cirurgião ou físico (o mesmo que médico) nos séculos XVI e XVII pode equivaler a ter encontrado um antepassado que era cristão-novo. As profissões que já encontrei em minhas pesquisas sobre meus antepassados poderiam ser agrupadas em núcleos como Agricultura, Comércio e Saúde e Serviços, dos quais apresento alguns casos.

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Médicos

“Médico” desde sempre foi coisa rara e cara. Era aquele que “curava e aplicava remédios”, segundo o dicionarista Bluteau. Em Portugal, a ciência se dividia em dois ramos: um erudito, exercido por médicos formados, outro, mais prático, desempenhado por cirurgiões, barbeiros e parteiras, que realizavam sangrias, extraíam dentes e, quando possível, tratavam de ossos quebrados. | Mary Del Priore – Histórias da Gente Brasileira – Volume 1

Esse trecho da obra de Mary Del Priore deixa clara a divisão que havia entre médicos e cirurgiões desde a Idade Média. Ao médico, que dependia de uma formação acadêmica, cabia um exercício de natureza intelectual, portanto mais nobre. Ao cirurgião, que dependia de uma formação prática, como aprendiz de alguém mais experiente ou em um hospital, cabia um exercício de natureza manual, mecânica, um ofício menor, desqualificado.

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