Quem acredita que Genealogia é sinônimo de árvore genealógica está enganado. A árvore, assim como o relatório, é, sim, um produto comum da pesquisa genealógica, pois nela ficam registradas as descobertas de uma investigação que pode se prolongar por décadas ou uma vida inteira. O que pouco se comenta, no entanto, é que a árvore é também uma ferramenta poderosa de auxílio à própria pesquisa, pois ela evidencia ramos que precisam ser ampliados e pontos que merecem uma atualização mediante acréscimo de data ou local preciso em que nasceu ou faleceu um membro familiar. Tão grande é o valor da árvore que praticamente todas as plataformas e aplicativos de Genealogia permitem ao usuário criar esse elemento. Desde o advento dos testes de DNA com fins genealógicos, no entanto, esse instrumento tão antigo se tornou ainda mais poderoso.

Minha árvore familiar já conta mais de 10.600 pessoas e sempre que descubro um novo match de DNA procuro saber se ele também tem uma árvore, pois dessa forma posso descobrir por qual ramo comum se daria o parentesco entre nós, ou seja, quem poderia ser nosso antepassado em comum mais recente (ACMR), isto é, o ancestral compartilhado mais próximo entre duas pessoas. Nessa busca dentro do que um match pode ter deixado registrado sobre seus ascendentes, exploro com frequência os modos de exibição de árvore oferecidos pelas plataformas de genealogia, alternando do Modo Árvore propriamente dito para o Modo Linhagem ou Pedigree e ainda para o Modo Leque. Cada um desses modos tem características específicas e fornece informações diferentes, que poucas vezes são explicadas ou entendidas.

O Modo Árvore, que pode ser considerado a forma padrão de produção e exibição de árvores nas plataformas, frequentemente se aproxima de uma árvore de costados. A partir de um dado indivíduo vivo ou falecido, incluem-se os ascendentes diretos – pais, avós, bisavós etc. – dos costados materno e paterno, documentando suas datas e locais de nascimento, casamento e óbito. É comum que se incluam ramos colaterais como irmãos, tios, sobrinhos e primos dessa pessoa. Como se observa na imagem abaixo, os ramos colaterais tornam a visualização mais densa, o que pode causar sensação de confusão visual em quem busca localizar o tal ACMR, principalmente quando a pessoa que produziu a árvore incluiu muitas imagens para representar cada membro documentado ou não padronizou os nomes com foco na legibilidade (p.ex. José da Silva, em lugar de JOSE DA SILVA) .

Modo Árvore (costados) – MyHeritage

O Modo Linhagem, por outro lado, organiza apenas os ascendentes diretos do usuário analisado em uma orientação horizontal, analisada da esquerda para a direita, até o número máximo de gerações que possa ser exibido na tela da plataforma, permitindo a expansão para incluir mais gerações se existirem. Esse modo de exibição exclui os ramos colaterais e reduz o impacto visual, facilitando a subida até um potencial ACMR na árvore do match.

Modo Linhagem – MyHeritage

Se o modo árvore amplia a visão, o modo linhagem simplifica. Já o Modo Leque, que é uma variação do modo linhagem, combina síntese com visão global. Nele se apresenta o usuário analisado em um círculo inicial ao qual se acrescentam, em segmentos concêntricos, os antepassados diretos desse usuário em ambos os costados até o número máximo de gerações que possa ser exibido na tela da plataforma, também permitindo a expansão para incluir mais gerações se existirem. A vantagem desse modo está no fato de ele exibir de forma óbvia os ramos ascendentes que ainda estão incompletos e por isso demandam mais pesquisa – os quais estão indicados pelo sinal “+” na minha árvore exibida abaixo.

Modo Leque – MyHeritage

O modo leque também proporciona uma visão de conjunto mais compacta, que, se combinada a um recurso interessante como a inclusão de bandeiras de países tal como a oferecida pela plataforma MyHeritage, pode propiciar interpretações demográficas rápidas. Pelo gráfico acima, por exemplo, consigo entender por que as calculadoras de ancestralidade costumam informar que eu tenho mais de 60% de ascendência ibérica – basta observar a prevalência de antepassados nascidos em Portugal.

Ancestralidade Global – Genera

Tanto o modo linhagem quanto o leque têm outra vantagem, que é a de apresentar apenas os antepassados de quem o usuário analisado (que está no centro inferior) herdou DNA, seja ele autossômico, Y (se a pessoa for do sexo biológico masculino), X e mitocondrial (mtDNA). Sabendo como se dá a herança específica de cada DNA – como sintetizado na imagem abaixo – , pode-se tentar localizar o ACMR de forma mais precisa.

Herança do DNA

Considero o modo leque mais útil para visualização geral de padrões, embora a análise genética propriamente dita dependa do isolamento e da interpretação de segmentos de DNA compartilhados e não apenas da estrutura da árvore.


José Araújo é genealogista.


José Araújo

Genealogista