Após vários anos analisando os matches de DNA autossômico que surgem periodicamente para mim e minhas primas maternas Fátima, Regina, Simone e Thais, comecei a observar um padrão. Esses padrões parecem sugerir como cada um de nós herdou o DNA de nossos antepassados em comum. A análise que apresento aqui é feita em cima de uma amostragem de apenas 19 desses matches que são comuns a ao menos dois de nós, mas creio que já será suficiente para comprovar meu argumento. A análise poderá apresentar alguma distorção, visto ter sido realizada a partir de dados coletados na plataforma da Genera, onde eu e minha prima Fátima temos proporcionalmente muito menos matches do que Regina e Simone. Ainda assim, creio que o argumento será interessante e não isento de fundamentação.

Antes de mais nada, cumpre esclarecer que Eu, Fátima e Regina somos primos de primeiro grau, pois temos o mesmo par de avós: Dorvalina, que pertence aos ramos Pereira da Silva / Soares e Rabelo Guimarães; e Enéas, que pertence aos ramos Pereira Belém e mais remotamente ao ramo Pinheiro de Souza. Simone é minha prima de segundo grau, pois seu avô era irmão de Enéas, por isso ela está relacionada apenas aos ramos Pereira Belém e Pinheiro de Souza. Thais também é minha prima de segundo grau, pois seu avô era irmão de Dorvalina, portanto ela está relacionada apenas aos ramos Pereira da Silva/Soares e Rabelo Guimarães. O ramo Souza Moura parece estar relacionado à ascendência de Dorvalina. Finalmente, é importante revelar que tanto Enéas quanto Dorvalina eram afrodescendentes por ao menos um ramo ascendente.

Agora vamos à análise. A imagem abaixo apresenta os tais 19 matches com nomes devidamente anonimizados e a quantidade de DNA autossômico que cada um deles compartilha comigo e/ou com minhas primas. Os matches foram agrupados por ramo e identificados por cor. Os que se relacionam aos ramos Pinheiro de Souza (azul claro), Rabelo Guimarães (amarelo), Pereira Belém (salmão) e Pereira da Silva/Soares (marrom) tiveram sua ascendência documentada até antepassados meus e de minhas primas. Os que se relacionam ao ramo Souza Moura (violeta) tiveram sua ascendência documentada, mas ainda não pude provar inequivocamente como eu e minhas primas estamos ligados a esse ramo. Os matches relacionados à ascendência africana são africanos natos que emigraram para o Brasil e não sei se será um dia possível comprovar nosso parentesco, mas a Genética já declarou que ele existe.

Padrão observado

Vamos, enfim, ao tal padrão que observei. Os dados parecem indicar que eu tenho maior probabilidade de receber matches relacionados aos ramos Pinheiro de Souza e Souza Moura, enquanto Thais provavelmente receberá mais matches relacionados ao ramo Rabelo Guimarães. Regina e Simone, enfim, terão maior probabilidade de receber matches africanos nativos. Na verdade, a quantidade de matches Pinheiro de Souza e Souza Moura exclusivos meus é bem maior do que está representado na imagem acima. Da mesma forma, a quantidade de matches africanos já revelados para Regina (8) e Simone (6) é maior do que o que consta na imagem, onde registrei apenas os que elas compartilham.

A suposição mais óbvia, mesmo para uma amostragem tão limitada, é de que cada um de nós recebeu quantidades diferenciadas de segmentos específicos de cada um desses ramos. A vantagem que essa observação fornece talvez seja preditiva: os matches supostamente maternos cujas árvores ainda não consegui documentar poderão ter maior probabilidade de pertencerem ao ramo Pinheiro de Souza se aparecerem apenas para mim ou para mim e apenas uma de minhas primas Regina ou Simone. Pela mesma razão eu não espero que surjam matches africanos nativos para mim, para Fátima ou para Thais. É com essa perspectiva que tendo a acreditar que o match Robson V. S., o décimo nono e ainda não relacionado a um dos ramos, descenda dos Pinheiro de Souza, ainda que não tenha conseguido documentar sua ascendência para além dos bisavós paternos.

Como adiantei na introdução, os dados devem conter distorção, mas é verdade que mesmo irmãos não gêmeos e primos de primeiro e segundo graus apresentam distribuição diferente na herança dos genes de seus antepassados comuns, especialmente quando consideramos segmentos de genes que se possam herdar de gerações anteriores às dos bisavós.


José Araújo é genealogista.


José Araújo

Genealogista