Taubateana

Minha única ancestral ameríndia identificada até o momento se chama Teresa Barbosa de Jesus, uma mulher nascida perto de 1690 na vila de São Francisco das Chagas de Taubaté, São Paulo, e provavelmente falecida na vila de Guarapiranga, Minas Gerais. Suspeito que a extensão geográfica percorrida por ela e seu marido João Jaques (ou Jácome) de Almeida, também taubateano, tenha relação com a descoberta do ouro pelos paulistas nas terras mineiras. Os filhos do casal nasceram em Taubaté – Luzia (1713) – e em Guarapiranga – Inácia (1718), Rosa Maria (1719), Leonor (1720) e Agostinho (1736) – e herdaram de Teresa o haplogrupo mitocondrial B2, característico de mulheres ameríndias e muito provavelmente falantes de línguas do tronco macro-jê. Não creio que ela seja minha única ancestral indígena, afinal meu ramo materno é colonial e bem antigo, mas não documentei a existência de outra e tampouco meu exame de DNA autossômico informa de uma ancestralidade ameríndia. Mas os exames de dois de meus primos maternos informam algo diferente.

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Privilégios

Saber detalhadamente sobre as suas origens no Brasil é praticamente um privilégio. Olá, eu sou Mateus Oliveira, geralmente vocês me veem aqui falando sobre o idioma Tupi Antigo, mas o tema do vídeo de hoje vai ser um pouquinho diferente. Vocês sabiam que, em média, 35% do DNA mitocondrial dos brasileiros é de origem indígena? Pra quem não sabe, o DNA mitocondrial a gente herda da linhagem materna, ou seja, a gente herda das nossas mães. Em média, 35% desse DNA mitocondrial brasileiro carrega uma herança indígena. Por uma história bem triste que vocês já devem estar imaginando qual é. Mas o fato é que temos muitos descendentes de indígenas, muito provavelmente alguns até sem saber que o são. O problema para quem quer descobrir as suas raízes, as suas origens indígenas é que na maioria das vezes isso não vai ser nada fácil.

Assim o estudante Mateus Oliveira inicia um vídeo curto do Instagram que diverge um pouco de seus conteúdos costumeiros sobre a língua Tupi antiga, que ele estuda na universidade. A mensagem, no entanto, é clara: quem tem ancestralidade indígena no Brasil pode tanto desconhecer esse fato quanto ter dificuldade para saber mais a respeito dela. Ele usa o termo privilégio. E não está errado ao fazê-lo. Na verdade, o mais certo seria usar o plural: privilégios. E explico por quê.

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