Itália

Muitos clientes testados pelo laboratório Genera veem entre seus resultados de Ancestralidade Global (AG) um componente europeu que nem sempre é recebido com naturalidade. Trata-se do componente Itália, que a bem da verdade nem deveria ser entendido como uma declaração de ascendência naquele país, afinal o que a ferramenta AG supostamente captura é uma visão geral de por quais territórios do mundo os ancestrais da pessoa testada ou cliente tiveram alguma passagem. Essa visão é obtida pela comparação do DNA autossômico do cliente com um painel de referência composto por amostras de DNA de pessoas cujos antepassados comprovadamente viveram nesses territórios. Considerando que os povos dos territórios europeus sejam talvez os mais estudados pelas ciências, deveríamos poder esperar alguma precisão desses resultados quando informassem que um cliente tem componentes italianos em sua ancestralidade genética. Mas será que devemos esperar isso?

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Excessivo

Por esses dias li em um grupo do Facebook dedicado à Genealogia a mensagem de uma participante que pedia recomendações sobre laboratórios por onde fazer seu teste de DNA (autossômico). Uma das recomendações apresentadas foi de que fizesse pelo Genera por conta da facilidade de aquisição e logística, visto que se trata de uma empresa com uma base de dados majoritariamente composta por brasileiros, o que a favoreceria na busca de parentes. A participante, no entanto, informou que tinha ramos ancestrais italianos, por isso talvez fizesse mais sentido comprar o teste de uma empresa estrangeira, no que foi apoiada por outro participante que sugeriu o Ancestry e o 23&Me, que têm as maiores bases de dados do mercado; e o MyHeritage, cuja base seria majoritariamente composta de clientes europeus. Não participei dessa conversa, mas refleti longamente sobre ela e sobre as limitações que adviriam da testagem em um laboratório estrangeiro para além da questão logística, já que algumas das empresas citadas não vendem (portanto não enviam) kits para o Brasil.

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Taubateana

Minha ancestral ameríndia mais próxima identificada até o momento se chama Teresa Barbosa de Jesus, uma mulher nascida perto de 1690 na vila de São Francisco das Chagas de Taubaté, São Paulo, e provavelmente falecida na vila de Guarapiranga, Minas Gerais. Suspeito que a extensão geográfica percorrida por ela e seu marido João Jaques (ou Jácome) de Almeida, também taubateano, tenha relação com a descoberta do ouro pelos paulistas nas terras mineiras. Os filhos do casal nasceram em Taubaté – Luzia (1713) – e em Guarapiranga – Inácia (1718), Rosa Maria (1719), Leonor (1720) e Agostinho (1736) – e herdaram de Teresa o haplogrupo mitocondrial B2, característico de mulheres ameríndias e muito provavelmente falantes de línguas do tronco macro-jê. Ela não é a minha única ancestral indígena, afinal meu ramo materno é colonial e bem antigo, mas meu exame de DNA autossômico não informa de uma ancestralidade ameríndia. Já os exames de dois de meus primos maternos informam algo diferente.

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