Aparências

Neste segundo texto da série que dediquei à proposta de uma Genealogia que recrie a vida cotidiana dos antepassados, tratarei de aspectos de que muitas vezes não se encontram referências: os elementos que compunham o ambiente doméstico dessas pessoas – suas residências e mobiliário – e a forma como elas se apresentavam na vida privada e pública – sua indumentária. Pretendo tratar desses elementos em relação à vida cotidiana de Ana de Oliveira, filha de Afonso Mendes, cirurgião-mor da corte portuguesa que chegara com a família a Salvador em 1557 acompanhando o governador-geral Mem de Sá e lá foi denunciado 34 anos depois pela prática de costumes judaicos.

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Peraltas

Quando a genealogia avança pelos séculos, é possível que não sejam mais encontrados assentos paroquiais que permitam saber quando os antepassados nasceram, casaram ou morreram. Talvez nem mesmo testamentos e inventários sejam encontrados que ajudem numa estimativa aproximada, mas, em alguns casos, a sorte pode acenar sob a forma de documentos de outra natureza: processos inquisitoriais. É certo que nesses processos nem sempre os dados vitais relacionados aos antepassados processados sejam exatos, mas podemos fazer estimativas, o que é melhor do que nada. É o caso que passo a descrever.

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Carteirada

Durante o período colonial, certas funções administrativas, militares e religiosas eram de acesso restrito apenas para pessoas que comprovassem ser de sangue puro, ou seja, que não possuíssem antepassados de origem africana, moura ou judia. Os estatutos de pureza de sangue exigiam que se fizesse uma investigação sobre as origens familiares dos candidatos a essas funções, pelo que não era infrequente que muitos fossem rejeitados, dada a quantidade de descendentes de africanos e judeus na colônia, onde no início da ocupação do território faltavam mulheres brancas com quem os colonos portugueses pudessem constituir família segundo mandava o catolicismo, a religião oficial da Coroa portuguesa.

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