Revisita

A pesquisa genealógica exige a busca e a exploração meticulosa de diversas fontes de informação. Mas não se deve acreditar que uma fonte possa ser explorada apenas uma vez, sem revisitas. Mesmo fontes já conhecidas podem revelar algo novo a partir do confronto com fontes recém-descobertas. O caso que relato aqui diz respeito a uma fonte – bastante sucinta, por sinal – que nem é tão antiga em meu acervo genealógico, mas que tenho revisitado com alguma frequência por ter relação com um ramo de ascendentes sobre os quais não há muitos documentos disponíveis ou mesmo conhecidos.

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Fugitivos

Após a chegada de Cabral às terras baianas, Portugal não iniciou de imediato uma ocupação maciça delas porque seria custoso e porque nelas não foram encontrados metais preciosos que justificassem o investimento – no que a coroa espanhola teve mais sorte nas terras por ela dominadas seis anos antes. Mas a ocupação do Brasil acabou sendo inevitável frente à cobiça das outras coroas europeias. Para evitar a perda do território, Portugal iniciou uma ocupação mercantil baseada no plantio da cana após a divisão do território em largas extensões que iniciavam no litoral e seguiam até os limites do Tratado de Tordesilhas no interior. Essas extensões de terra seriam administradas por capitães donatários que tinham enormes responsabilidades, mas parcas condições de manter o regime funcionando com lucro para a coroa. Diante das dificuldades por eles encontradas, a coroa portuguesa decidiu sediar um governo central na colônia, e o primeiro governador-geral foi o fidalgo Tomé de Souza, que construiu a primeira capital do Brasil – a cidade de Salvador – na capitania da Bahia de Todos os Santos. A ele se seguiram no governo da terra Duarte da Costa e Mem de Sá. Este último foi o responsável pela expulsão dos franceses que haviam conquistado a Baía de Guanabara em 1555. Ele nos interessa de perto para o que vou relatar.

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