Arrobas

Em texto anterior, apresentei uma hipótese para a filiação de meu antepassado Miguel Veloso de Carvalho (ca. 1682- ca. 1760), que seria filho de João Veloso de Carvalho e de uma filha de Fernando Muniz Barreto e Maria Machado cujo nome ainda é ignorado. João Veloso parece ter sido um homem de muito poder na freguesia de Santo Antônio de Jacutinga, no Recôncavo da Guanabara, pois foram encontrados inúmeros registros paroquiais de batismo e casamento de pessoas escravizados que a ele pertenciam. Outro fator que parece atestar seu poder tem relação com a compra de terras que ele realizou em 19 de abril de 1671 e que foi registrada em uma escritura pública transcrita cem anos depois a pedido de Cristóvão de Souza Araújo. O documento que contém essa transcrição se encontra digitalizado e disponível para consulta no Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN) com a notação BI.15.2029. É dele que extraio o texto que apresento em seguida e que analiso pelo valor que apresenta para a compreensão de aspectos sociais e econômicos da vida local e em especial da vida desse meu antepassado.

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Familiaridade

Talvez nem todos os leitores deste blogue saibam, mas uma atividade à qual me dedico com muito prazer é o guiamento histórico na área central da cidade do Rio de Janeiro. O interesse por esse guiamento surgiu após eu participar de inúmeras visitas oferecidas na mesma área por outros guias e por instituições como o Instituto Pretos Novos (IPN). Sempre que participava desses eventos, eu sentia uma estranha familiaridade com muitos dos lugares que eram visitados, ainda que pudessem ser considerados perigosos ou feios pelos moradores da cidade, mais familiarizados com as praias, as trilhas de floresta ou os atrativos turísticos como o Cristo Redentor ou o Pão de Açúcar.

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