Encontrar um primo genético (match) que é famoso ou tem parentesco direto com alguém famoso pode ser uma enorme vantagem, especialmente quando o parentesco com esse primo pode ajudar a esclarecer a filiação de um antepassado direto que aparece nos registros documentais apenas com o nome da mãe – situação que experimentei com meus dois pares de bisavós maternos – João e Teodora, Artur e Argemira. Desses, penso já ter esclarecido bem a filiação de João e Artur. Teodora e Argemira ainda seguem como filhas de pais desconhecidos. Mas voltemos à descoberta do tal primo famoso, que se chama Gabriel.

O primo Gabriel apareceu na rabeira dos meus mirrados 101 matches do Busca Parentes na plataforma da Genera. Digo que apareceu na rabeira porque, até o momento em que escrevia este texto, ele era meu penúltimo match, com apenas 18 cM, valor apenas 3 cM acima do que considero viável para me dedicar à busca de um parentesco documental. Talvez por isso eu o tenha negligenciado durante um bom tempo. Afinal, por que eu perderia preciosas horas ou dias buscando uma relação de parentesco com alguém que a plataforma me diz ser um primo de 5º a 8º grau, ou seja, uma ascendência comum que estaria lá pelo século XVIII.

Para minha sorte, Gabriel é filho de um veterano ator brasileiro que faleceu em 2005 e atuou em mais de 60 produções televisivas entre novelas, séries de longa duração e minisséries. Não estava claro se meu parentesco seria por meio desse pai ilustre ou pela mãe anônima de Gabriel, mas a fama de seu pai foi providencial para minha busca, pois pude encontrar uma árvore quase completa no FamilySearch em que tanto o ramo paterno quanto o materno estavam contemplados. À primeira vista, pareceu-me que o caminho mais promissor seria mesmo o do pai-ator do meu match, pois sua ascendência era bem fluminense, tal como a de meu ramo materno.

Explorando os vários ramos da ascendência paterna de Gabriel, interessei-me por este: Luiz Gonzaga Correa e Castro (avô) > Luiza Joaquina Pereira da Silva (bisavó) > Luiz Joaquim Pereira da Silva (trisavô) > Joaquina Rosa de Jesus (tetravó) > Maria Antônia de Souza (pentavó) > Manoel de Souza Dias (hexavô). A satisfação com esse ramo inicialmente se deu pela descoberta do sobrenome composto Pereira da Silva, que ocorre no ramo materno de minha bisavó Durvalina. A pista desse sobrenome desapareceu em Joaquina Rosa de Jesus, mas notei que ela chegava a uma pessoa ainda mais interessante: Manoel de Souza Dias, o avô de Joaquina Rosa de Jesus.

Manoel foi pai de Maria Antônia, ascendente de Gabriel, e de Teresa Maria de Jesus, que me liga a outros cinco (depois seis) matches meus (J) e de meus primos maternos R, S, T e W e aos quais já dediquei uma análise aqui. Embora Gabriel e os seis matches tenham relação com o ramo Souza Dias-Amaral, quatro dentre eles (José R, João, Gustavo e Nelly) se relacionam também – e alguns deles mais de uma vez – com um ramo Moura Álvares-Machado a quem dediquei aqui uma análise detalhada e que, em última instância, parece me ligar a uma pessoa de quem tratei no texto anterior.

Matches

A ligação de Gabriel a um ramo já estudado não foi suficiente ainda para esclarecer a filiação de minhas bisavós cujo pai ainda segue desconhecido, mas certamente esclareceu que nosso parentesco é real, embora mesmo distante, e pode vir por um de dois casais-tronco: Manoel de Souza Dias e Leonor Nogueira do Amaral, casados em 7 de janeiro de 1744 na freguesia de Nossa Senhora da Candelária; ou Manoel de Moura Álvares e Eugênia Inácia da Conceição, casados por volta de 1776, provavelmente na freguesia de Santo Antônio de Jacutinga, onde há registros da presença de minha família materna desde o século XVII.

Casamento de Manoel de Souza Dias e Leonor Nogueira do Amaral (1744)

Minha suspeita neste ponto é que esses ramos estejam na ascendência de Julinda Dias Seabra (1843-1884), mãe de meu bisavô Artur; e de Argemira Pereira da Silva, esposa de Artur. Agora é esperar que surjam mais matches para ajudar a robustecer essas suspeitas.


José Araújo é genealogista.


José Araújo

Genealogista