Teia

Aos quatorze dias do mês de junho de mil oitocentos e cinquenta, nesta freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Marapicu, pelas quatro horas da tarde, depois de feitas as diligências que manda o Conc. Trid. e const. do Bisp., e não encontrando impedimento algum, recebi em matrimônio, por palavras de presente, na forma do Ritual Romano, a José Gonçalves Cruz, filho legítimo de Manoel Gonçalves Cruz e D. Mariana Rosa da Silva, natural desta freguesia e batizado na Jacutinga, com D. Tereza Maria de Jesus, viúva que ficou de Antônio Pereira Ramos Sobrinho, nascida e batizada nesta freguesia, sendo testemunhas que comigo assinaram João Pedro Alexandrino e Joaquim Mariano de Moura Filho. E não receberam as bênçãos nupciais por ser a noiva viúva. E para constar fiz este assento.

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Perfilhados

Inventários post-mortem são fontes preciosas de informação sobre a história familiar e para a genealogia que, infelizmente, não estão ao alcance dos pesquisadores da mesma forma que estão os assentos paroquiais e as certidões de nascimento, casamento e óbito. O acesso aos inventários exige o contato com os arquivos judiciários locais para pesquisa dos documentos disponíveis e agendamento para sua leitura e registro fotográfico in loco quando suas condições físicas o permitem. É por meio de alguns dos inventários de duas famílias de Bananal de Itaguaí, hoje Seropédica, Rio de Janeiro, que tenho tentado encontrar explicações para o facto de meu bisavó materno João Pereira Belém carregar o sobrenome composto de uma família de fazendeiros e proprietários de escravos, embora ele mesmo pudesse descender de pessoas escravizadas.

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Forra

Embora o tráfico intercontinental de africanos escravizados para o Brasil já estivesse proibido em 1850, a atividade continuou a ser praticada ainda por mais de duas décadas por conta dos vultosos lucros que gerava para os traficantes e comerciantes brasileiros. Apenas a partir dos anos de 1880 o cenário começou a mudar por conta do crescente número de alforrias concedidas aos escravizados ou compradas por eles – em especial pelas mulheres escravizadas em atividades urbanas. Somadas às inúmeras fugas e revoltas dos escravizados, as alforrias contribuíram para o declínio da escravidão, o que nos permite concluir que a tão exaltada Abolição, em maio 1889, apenas documentou um facto consumado.

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