Insuficiente

Pesquisas realizadas por outros genealogistas e publicadas em formato de livro ou em sítios são fontes importantes para a comunidade de pesquisadores em genealogia, mas nem sempre essas pesquisas abrangem a totalidade das informações disponíveis sobre as pessoas e famílias estudadas.

Recentemente tive a grande alegria de descobrir que o pesquisador Diego Duque Guimarães havia estudado uma família – a de João Pinheiro de Souza (1719-1782) e Paula Pereira Monteiro (1725-?) – na qual se encontram as origens de um ramo de minha família materna. Minha tetravó Maria Tereza da Paz (1791-1855) era neta de João e Paula.

No sítio do Projeto Compartilhar, coordenado por Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira, Diego teve publicada sua pesquisa sobre os descendentes de João Pinheiro de Souza, na qual informa o seguinte:

7-1 Maria Teresa da Paz, batizada em 03-02-1791 na capela de Belem filial de Sacra Familia. Em 17-12-1809 habilitou-se para casar com o Cap. Joaquim Francisco do Rego, batizado em 28-11-1766 na capela de Itacuruçá filial de Angra dos Reis, filho de Francisco do Rego, natural da Ilha de S. Miguel e de sua mulher Rosa Maria dos Santos, natural da freguesia de S. Salvador do Mundo de Guaratiba, neto pela parte paterna de Manoel dos Santos e de Maria do Rego, naturaes da mesma Ilha de S. Miguel, e pela materna de Antonio de Madeiros, natural da Ilha de S. Miguel e de Maria dos Santos, natural da freguesia de Guaratiba. […] 7-1-1 José Gomes de Moraes em 27-11-1847 em Valença, dispensados do Impedimento de consaguinidade em 2° grau da linha colateral igual, casou com sua prima Fausta Angélica de Moraes (1-9-1), filha de João Pinheiro de Souza Moraes e Luisa Angelica da Conceição

Pelo texto deduz-se que Maria Tereza da Paz e seu marido tiveram apenas um filho, chamado José Gomes de Moraes. Mas essa informação não condiz com os factos, como se pode comprovar pelo seguinte assento paroquial:

Aos vinte e um dias do mês de outubro de mil e oitocentos e cinquenta e quatro, nesta igreja de Nossa Senhora da Conceição do Bananal, batizei solenemente e pus os santos óleos ao inocente João, nascido a dezesseis de maio do corrente ano, filho legítimo de Pedro Gomes de Moraes, natural e batizado na freguesia de Marapicu, e de Maria Pereira Ramos, natural e batizada nesta freguesia, neto paterno de Francisco do Rego, já falecido, e de Maria Tereza da Paz; e materno de Mariano Pereira Ramos, já falecido, e de Joana Maria de Jesus. Foram padrinhos Manoel Inácio Barbosa e D. Francisca Rosa Belém, sua mulher. Do que, para constar, fiz este assento.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Marapicu – Fonte: INEA

Meus tetravós Joaquim Francisco e Maria Tereza, portanto, tiveram ao menos mais um filho, meu trisavô Pedro – Maria Tereza teria, após a morte do marido, tido outros filhos com Pedro Cipriano Pereira Belém. A implicação do apresentado é que não se deve dar como definitivas as informações apresentadas em pesquisas de outros genealogistas. É sempre recomendável, quando possível, analisar os livros disponíveis para as paróquias e épocas relacionadas aos ramos que sejam o foco da pesquisa para evitar a perda de informações.


José Araújo é genealogista.