Tibiriçá

Em sua coluna na Folha de S. Paulo, publicada em novembro de 2024, o jornalista Vicente Vilardaga afirmou que “não existiu um homem mais poderoso no planalto de Piratininga em meados do século XVI do que o cacique Tibiriçá”. E acrescentou: foi “graças a ele que os jesuítas conseguiram se instalar no Pátio do Colégio, que daria origem à vila de São Paulo […].” Além de aliado dos colonizadores, Tibiriçá foi sogro do enigmático e longevo português João Ramalho, que já vivia nas terras paulistas antes de 1534, em união com Bartira, filha do cacique. Por seu valor estratégico para os colonizadores, Tibiriçá foi batizado com o nome Martim Afonso – o mesmo do fundador da vila de São Vicente – e, séculos mais tarde, reverenciado como patriarca do povo paulista. Mas afinal, quem foi ele?

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Longevos

… mas antigamente as pessoas viviam menos, morriam cedo.

Quando ouvi essa afirmativa de uma amiga psicóloga, imediatamente varri a memória sobre os já então incontáveis antepassados que havia conseguido incorporar à minha árvore familiar e dei uma resposta igualmente afirmativa: “Isso não é verdade e posso comprovar com dados de minha pesquisa”. De fato, já entre meus tios maternos e paternos, nascidos nas primeiras décadas do século XX, encontrei poucos que tiveram vida curta. Minhas tias maternas viveram bem mais que seus irmãos e maridos e faleceram na casa dos oitenta.

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Inconstância

No passado, os sobrenomes eram escolhidos no crisma, quando a pessoa completava 14 ou 15 anos. Até esse momento, ela poderia responder apenas pelo nome recebido no ato de seu batismo. Mas se engana quem acredita que a escolha do sobrenome na adolescência pacificava a questão da identificação social e oficial na cultura luso-brasileira. Descrevo aqui alguns casos que demonstram como a pesquisa contemporânea se torna complexa pelas escolhas aparentemente aleatórias feitas por nossos antepassados até o século XIX.

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