Puzzilla

Os testes recreativos de DNA nos oferecem muito mais do que informações gerais sobre nossa ancestralidade genética – os percentuais de DNA africano, ameríndio, asiático ou europeu que herdamos de nossos ancestrais – ou uma lista de parentes próximos e distantes com quem compartilhamos esse DNA. Quem está na Genealogia há algum tempo sabe que esses testes nos dão também uma oportunidade única de desvendar mistérios sobre nossos antepassados e mesmo sobre figuras históricas. Quem há 50 anos imaginaria, por exemplo, que Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, descendia de uma mulher indígena? Ou ainda que Batira, filha do cacique Tibiriçá não era a única matriarca indígena das famílias paulistas mais antigas? Pois essas constatações só se tornaram possíveis porque pessoas comuns fizeram um teste de DNA por qualquer outra razão e permitiram que descobríssemos esses fatos. Existem outras descobertas como essas por fazer, mas elas exigem mais do que apenas a sorte de encontrar alguém que tenha feito um teste e tenha uma ascendência comum com uma figura histórica ou um casal fundador.

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Peraltas

Minha família materna tem ramos cariocas desde o século XVII, sendo que alguns deles são colonizadores chegados de outras capitanias – entre elas a Bahia – e outros são africanos escravizados trazidos pelo tráfico transatlântico desde Angola e da Guiné. Embora eu já tenha conseguido avançar para esses antepassados mais remotos, não tive sucesso equivalente para encontrar outros descendentes vivos de todos eles. Um caso em questão está no ramo dos Peraltas, que tem como seu antepassado mais remoto o cirurgião-mor da corte portuguesa Afonso Mendes, mais conhecido como Mestre Afonso, que veio para o Brasil em 1557 com Mem de Sá, o terceiro governador-geral do Brasil, e se estabeleceu com sua família em Salvador, então capital da colônia. Mestre Afonso e Maria Lopes, sua mulher, tiveram ao menos cinco filhos: Álvaro Pacheco, Ana de Oliveira, Branca de Leão, Manoel Afonso e Violante Pacheco. Ana de Oliveira casou-se com o médico biscainho Gaspar de Vila Corte de Peralta e foi com esse casal que acredito ter-se originado o título dos Peralta que passou da Bahia para o Rio de Janeiro.

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