Privilégios

Saber detalhadamente sobre as suas origens no Brasil é praticamente um privilégio. Olá, eu sou Mateus Oliveira, geralmente vocês me veem aqui falando sobre o idioma Tupi Antigo, mas o tema do vídeo de hoje vai ser um pouquinho diferente. Vocês sabiam que, em média, 35% do DNA mitocondrial dos brasileiros é de origem indígena? Pra quem não sabe, o DNA mitocondrial a gente herda da linhagem materna, ou seja, a gente herda das nossas mães. Em média, 35% desse DNA mitocondrial brasileiro carrega uma herança indígena. Por uma história bem triste que vocês já devem estar imaginando qual é. Mas o fato é que temos muitos descendentes de indígenas, muito provavelmente alguns até sem saber que o são. O problema para quem quer descobrir as suas raízes, as suas origens indígenas é que na maioria das vezes isso não vai ser nada fácil.

Assim o estudante Mateus Oliveira inicia um vídeo curto do Instagram que diverge um pouco de seus conteúdos costumeiros sobre a língua Tupi antiga, que ele estuda na universidade. A mensagem, no entanto, é clara: quem tem ancestralidade indígena no Brasil pode tanto desconhecer esse fato quanto ter dificuldade para saber mais a respeito dela. Ele usa o termo privilégio. E não está errado ao fazê-lo. Na verdade, o mais certo seria usar o plural: privilégios. E explico por quê.

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Conclusão

Em texto anterior, apresentei a hipótese de que o cidadão João Pacheco de Peralta, que supus “ter nascido na virada do século XVIII para o XIX”, seria um descendente de meus antepassados Cordeiro de Peralta que passaram da Bahia ao Rio de Janeiro em meados do século XVII. Esse ramo descendia do cirurgião e cristão-novo Afonso Mendes, mais conhecido como Mestre Afonso, que chegou a Salvador da Bahia com Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil, em 1557. A comprovação da hipótese – ou sua refutação – dependeria das informações que eu pudesse encontrar em quatro documentos que eu soube, mediante pesquisa na plataforma Sophia, estarem disponíveis para consulta no Museu da Justiça do Rio de Janeiro. A consulta aos documentos foi agendada para 19 de agosto, quando pude ter acesso a eles e fotografá-los. Aqui apresento o que descobri pela leitura de tais documentos.

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Mbicy

O padre Nunes, cumprindo incumbência que lhe passara Nóbrega, funda em São Vicente um colégio de jesuítas, além da respectiva igreja. […] Ele ouve dizer que “no campo, 14 ou 15 léguas daqui, entre os índios”, existiria “alguma gente cristã derramada“, a qual passava o ano “sem ouvirem missa e nem se confessarem, e andarem em uma vida de selvagem”. _ POMPEU DE TOLEDO, Roberto. A capital da solidão: uma história de São Paulo das origens a 1900.

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