Petição

Em 9 de agosto de 1822, pouco menos de um mês antes de o Brasil ser feito independente de Portugal, na vila fluminense de São Francisco Xavier de Itaguaí, a viúva Inácia Angélica de Moraes iniciou o processo de “inventário dos bens de seu casal por falecimento de seu marido Francisco Gomes Pereira a fim de dar partilhas a seus herdeiros”. Francisco, meu quinto-avô materno, falecera em 2 de julho do mesmo ano e não deixara testamento, como se lê no assento de óbito transcrito no processo de inventário. O documento do processo segue apresentando a relação de herdeiros e de bens – imóveis, roupas, enxoval, animais e escravizados – a serem divididos, mas não é a ele que desejo dedicar este texto e sim a outro que passo a descrever.

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Proteção

A tradição de escolher padrinhos surgiu no século II d.C, quando os batismos infantis se tornaram populares. Até o século V d.C., eram os pais que declaravam a fé cristã de seus filhos, o que estes mesmos não poderiam fazer por pura incapacidade. A partir desse século, surgiu o costume de indicar terceiros, os quais assumiam a função de pais espirituais. Foi uma explicação assim – mais no sentido de pais substitutos – que ouvi de minha mãe quando lhe perguntei por que a irmã mais nova dela e o marido desta haviam sido escolhidos para meus padrinhos no batismo. Existem mais questões por trás desse costume, que parece trivial.

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Familiaridade

Talvez nem todos os leitores deste blogue saibam, mas uma atividade à qual me dedico com muito prazer é o guiamento histórico na área central da cidade do Rio de Janeiro. O interesse por esse guiamento surgiu após eu participar de inúmeras visitas oferecidas na mesma área por outros guias e por instituições como o Instituto Pretos Novos (IPN). Sempre que participava desses eventos, eu sentia uma estranha familiaridade com muitos dos lugares que eram visitados, ainda que pudessem ser considerados perigosos ou feios pelos moradores da cidade, mais familiarizados com as praias, as trilhas de floresta ou os atrativos turísticos como o Cristo Redentor ou o Pão de Açúcar.

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