Vantagem

Encontrar um primo genético (match) que é famoso ou tem parentesco direto com alguém famoso pode ser uma enorme vantagem, especialmente quando o parentesco com esse primo pode ajudar a esclarecer a filiação de um antepassado direto que aparece nos registros documentais apenas com o nome da mãe – situação que experimentei com meus dois pares de bisavós maternos – João e Teodora, Artur e Argemira. Desses, penso já ter esclarecido bem a filiação de João e Artur. Teodora e Argemira ainda seguem como filhas de pais desconhecidos. Mas voltemos à descoberta do tal primo famoso, que se chama Gabriel.

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Felipe

Aos dezoito de junho de mil oitocentos e dois, em cova da Irmandade do Santíssimo desta freguesia de Santo Antônio de Jacutinga, foi sepultado Felipe Neri, viúvo, envolto e hábito de São Francisco, acompanhado pela sua irmandade do Santíssimo, por mim e mais um sacerdote. Faleceu com todos os sacramentos e foi encomendado. _ Averbação: Passei uma certidão de óbito de Felipe Neri de Moura a requerimento de seu filho, o tenente José de Oliveira Souza

Esse assento de óbito traz algumas informações importantes sobre o falecido que não ficam aparentes a uma leitura superficial. Em primeiro lugar, o falecido deveria ser alguém importante na freguesia de Jacutinga, pois pertencia à irmandade do Santíssimo Sacramento, que era costumeiramente associada às elites da terra. Em segundo lugar, a averbação feita à margem informa que Felipe Neri tinha o sobrenome Moura, que não foi escolhido por seu filho José na idade do crisma, podendo ser um sobrenome da família de Felipe ou ainda da mãe de José, o que não resta esclarecido, pois o assento não informa com quem o falecido havia sido casado, embora declare que era já viúvo em 1802.

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Lazarus

Meu sonho é que ao menos um dia metade da população brasileira consiga fazer um teste de Genealogia genética. Isso já permitiria um avanço nas investigações de história familiar e talvez ajudasse até a reduzir o racismo estrutural da sociedade pela descoberta de que a miscigenação está presente mesmo naquelas famílias que se consideram secularmente brancas. Sonhos à parte, penso que seria interessante que ao menos todos os meus primos se interessassem pelo tema. Alguns de fato se interessaram e fizeram um teste a meu pedido e com meu incentivo, enquanto outros o fizeram de forma espontânea. Infelizmente, meus pais, avós, tios e tias faleceram antes que os testes se tornassem disponíveis ou acessíveis. O DNA deles, pela maior proximidade com nossos antepassados, permitiria mais descobertas, mas nem tudo está perdido para quem já conheceu a Lazarus.

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