Barreiras

Há algumas semanas, como resposta a uma postagem que fiz em um grupo do Facebook dedicado à Genealogia Brasileira, recebi a seguinte pergunta: “Como descubro os antepassados da minha trisavó que era escrava?”. Minha primeira reação foi responder sucintamente que não havia resposta simples para a pergunta, mas depois, refletindo a respeito de quão pouco informativo eu havia sido, decidi ser mais detalhista e complementei dizendo que, dependendo da região onde sua trisavó viveu, a colega poderia tentar localizar documentos relacionados aos proprietários dela, tais como inventários e testamentos, pois neles era comum que se informassem os nomes dos escravizados. Se essa trisavó tivesse vivido em uma região para a qual houve muita pesquisa de historiadores, talvez estes já tivessem levantado esses documentos. O restante de meu complemento foi genérico, terminando com a seguinte afirmação: a Genealogia de pessoas afrodescendentes é complexa, demanda muita pesquisa e nem sempre traz os resultados esperados.

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Vasques

Aos vinte três dias do mês de janeiro de mil setecentos e setenta e seis anos, nesta freguesia de Santo Antônio de Jacutinga, batizei e pus os santos óleos a Firmiana, filha de Ana, parda livre, solteira, nascida a quinze do dito mês. Foram padrinhos o capitão Manoel Correa Vasques e Dona Inácia Francisca, solteira, filha de D. Inácia Maria Tavares, viúva desta freguesia. De que para constar fiz este assento. O Vigário Luiz Inácio de Pina.

Já devo ter afirmado aqui algumas vezes sobre a importância de levar em consideração os padrinhos de batismo e as testemunhas de casamento na pesquisa genealógica. Essas pessoas frequentemente eram parentes das crianças batizadas e dos noivos ou ao menos pessoas de relacionamento próximo. Em casos como o de minha sexta-avó Firmiana Maria Xavier, em cujo assento de batismo não consta o nome paterno, a identificação dos padrinhos talvez possa trazer pistas sobre a identidade de seu pai. Mas vamos antes saber mais sobre essa essa minha ascendente antes de avançar na investigação sobre sua filiação.

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Diáspora

Mais de 92 milhões de pessoas (45,3% da população) entrevistadas pelos recenseadores no censo de 2022 se identificaram como pardas, reconhecendo dessa forma que descendem de povos originários – indígenas e africanos. O termo pardo originalmente dizia respeito apenas a pessoas que fossem mestiças de brancos e africanos e, se levarmos em conta que a população brasileira sempre foi majoritariamente composta de pessoas de origem africana – foram elas que movimentavam a economia colonial e imperial – , temos de admitir que o povo brasileiro descende majoritariamente de africanos escravizados e, como discuto a seguir, de diversas etnias.

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