Genealogizar

Entre algumas das conhecidas e já clássicas obras dos grandes genealogistas do passado podemos citar o Catálogo genealógico das principais famílias que procederam de Albuquerques e Cavalcantes em Pernambuco e Caramurus na Bahia, de frei Antônio de Santa Maria Jaboatão (1695-1779); a Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica, escrita no século XVIII por Pedro Taques de Almeida Pais Leme (1714-1777) e depois atualizada até os limiares do século XIX na Genealogia Paulistana por seu primo Luiz Gonzaga da Silva Leme (1852-1919); e a Primeiras Famílias do Rio de Janeiro (séculos XVI e XVII), de Carlos Grandmasson Rheingantz (1915-1988). Essas obras se tornaram valiosas não apenas porque compilaram um considerável volume de informações sobre famílias fundadoras de diversas capitanias, províncias e estados do Brasil, mas também porque apresentam dados vitais sobre membros dessas famílias que podem já estar indisponíveis porque as fontes primárias que as continham já desapareceram.

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Preconceitos

Este é o terceiro texto da série que dedico à proposta de uma Genealogia que vá além do simples inventário de nomes, datas e lugares para recriar, com base em fontes primárias – relatos de viajantes, cartas – e secundárias – estudos acadêmicos – , um relato da vida cotidiana de nossos antepassados. Neste texto, sigo abordando o relato do viajante Richard Flecknoe, que visitou a cidade do Rio de Janeiro em meados do século XVII. Aqui trato da cautela que se deve ter ao recorrer a fontes como os relatos de viajantes, pois eles pintam um quadro da vida social de nosso passado com as tintas das culturas desses observadores, o que em geral dava margem a percepções enviesadas e carregadas de preconceito.

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Vida

É minha opinião que a Genealogia deva ir além do inventário de nomes, datas e locais – que podemos extrair de registros paroquiais, civis e legais – para recriar a ambiência e a vida cotidiana de nossos antepassados. Reconheço que isso nem sempre seja possível, pois, à medida que retrocedemos nos séculos, fontes primárias como cartas, diários e relatos de viajantes, que nos dariam um gosto da vida passada, podem inexistir. É por isso que considero uma preciosidade a obra epistolar publicada em 1655 pelo viajante inglês Richard Flecknoe. Ela será tema do primeiro e segundo textos de uma série que publicarei aqui no blogue nas próximas semanas.

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