Esmeralda

Aos dois de novembro de mil novecentos e três, nesta matriz de Jacutinga, batizei e pus os santos óleos à Ismeralda (sic), nascida a vinte e três de agosto do corrente ano, filha de João Belém e de Theodora Maria da Conceição, ligados só civilmente. Foram padrinhos Álvaro Vieira de Moura Sá e D. Bralia Olympia de Moura Sá.

A transcrição que abre este texto é o registro de batismo de minha tia-avó Esmeralda, nascida após o casamento civil, em novembro de 1900, de meus bisavós João Pereira Belém e Theodora Maria da Conceição. Segundo o documento, meus bisavós ainda não haviam se casado ‘no religioso’, como se costuma dizer, mesmo três anos após o casamento civil, momento em que reconheceram os oito filhos que tinham tido até aquele momento. A decisão de não se casar ‘no religioso’ seria repetida por meus avós Enéas Pereira Belém e Durvalina Rabelo Guimarães nove anos após o nascimento de Esmeralda, como pude constatar no registro de nascimento de minha tia Ruth em cinco de junho de 1920.

Mas o registro de batismo de Esmeralda chama também atenção pelo que não revela: os nomes dos avós da criança. De facto, meus bisavós João e Theodora eram filhos naturais, ou seja, suas mães não chegaram a se casar com os seus pais. Mas esses avós não ficaram desconhecidos, pois o registro civil de nascimento da mesma Esmeralda cujo batismo abre este texto, datado de vinte três de agosto de 1903, informa que ela era neta paterna de Pedro Gomes de Moraes – sobre quem já publiquei diversos textos aqui – e Joaquina Morais (sic) – na verdade Joaquina da Conceição; e neta materna de Felipe Rangel e Maria Laurinda da Misericórdia. O trecho relevante do documento civil está exibido e transcrito abaixo.

Registro Civil de Nascimento de Esmeralda Pereira Belém

[…] nasceu uma criança do sexo feminino, de cor parda, filha legítima de João Pereira Belém e Theodora Maria da Conceição, residentes neste distrito, avós paternos Pedro Gomes de Moraes e Joaquina Morais, e maternos Felipe Rangel e […], digo, Maria Laurinda da Misericórdia. A criança há de chamar-se Esmeralda […]

Esse caso brevemente descrito aqui demonstra que os documentos civis e religiosos podem ser complementares em relação à quantidade de informação que podem trazer para o genealogista. Sempre que possível, deve-se tentar a pesquisa por ambos os tipos, pois é dessa soma que podem surgir pistas importantes para o entendimento da história familiar. No caso em questão, os sobrenomes dos padrinhos de Esmeralda sugerem uma ligação familiar paterna a ser investigada algumas gerações acima entre os Moura Sá.


José Araújo é genealogista.