Logradouro

Aos vinte e sete dias do mês de setembro do ano de mil oitocentos e sessenta e oito, nesta freguesia de Barcos, concelho de Tabuaço, diocese de Lamego, na casa número um, às quatro horas da tarde, faleceu, não tendo recebido sacramentos da Santa Igreja, um indivíduo do sexo masculino por nome Antônio de Araújo Morgado, de idade de 66 anos, de estado casado com Ana da Silva, natural desta freguesia, morador na rua do fundo da vila, filho legítimo de José Morgado, natural da freguesia de Adorigo deste concelho, profissão proprietário, e de Josefa de Araújo, de profissão governo da casa, o qual não fez testamento, deixando filhos e foi sepultado na igreja desta freguesia por não haver cemitério público. E para constar se lavrou em duplicado este assento que assino. Era ut supra. O abade Antônio Augusto Tavares

Poucas vezes temos a oportunidade de descobrir nas fontes documentais informações tão precisas quanto as que se podem ler nesse assento de um membro de minha família em Portugal. Em registros do século XIX, a depender da freguesia e do pároco, é possível obter tal grau de precisão. Conforme retrocedemos pelos séculos, os detalhes podem se tornar cada vez mais escassos. A sorte pode, no entanto, nos favorecer e foi graças a ela que pude encontrar o endereço de minha antepassada Maria Lopes, uma portuguesa que faleceu na Bahia em agosto de 1591.

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Minúcias

A existência de poucas fontes de informação não deveria ser impedimento para contarmos as histórias de vida de nossos antepassados. Frequentemente, conforme se avança pelos séculos, a tendência é mesmo que se encontrem poucas fontes e fontes esparsas que parecem não dizer muita coisa. Mas, se nos dispusermos a lê-las nas minúcias, no detalhe, talvez possamos, sim, contar uma história coerente. Mas para isso será certamente necessário recorrer ao conhecimento histórico e geográfico e eventualmente até aos registros das vidas de seus contemporâneos. É essa a proposta deste texto, em que reconstruo a vida de Antônia Rodrigues Sardinha.

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Sociedade

Lino Lopes de Mattos, bacharel formado na Faculdade dos Sagrados Cânones pela Universidade de Coimbra e Pároco Colado da Freguesia da Conceição de Nossa Senhora de Guarapiranga, certifico que a presente Tábua está conforme com o estado presente da população desta freguesia em todas as distinções e declarações que vão nela, para cujo fim mandei fazer os exames que foram possíveis. Guarapiranga, 31 de dezembro de 1797, Lino Lopes de Mattos.

Assim descreve o pároco Lino Lopes o documento que mandou produzir para informar do censo populacional da freguesia de Guarapiranga, termo de Mariana, na província de Minas Gerais, nos últimos anos do século XVIII. Já tratei dessa freguesia em outro texto no qual abordei um ramo de minha família materna que lá se fixou após migrar de Taubaté, São Paulo, na primeira metade do referido século, provavelmente seguindo a promessa de riquezas – ouro e pedras preciosas.

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