Alves

Um dos personagens misteriosos de minha árvore e de quem acredito descender por meu ramo materno se chama Felipe Nery de Moura. Ele nasceu na freguesia de Santo Antônio de Jacutinga, Rio de Janeiro, por volta de 1715, e faleceu na mesma freguesia em 17 de junho de 1802, quando era já viúvo de Páscoa Maria de Oliveira. Em texto anterior, sugeri que, além dos dois filhos já conhecidos do casal – José de Oliveira e Souza e Manoel de Moura Álvares – , haveria uma filha mais velha que faleceu solteira aos 40 anos de idade e que em adulta usava o mesmo nome de sua mãe. A filiação do patriarca Felipe segue ignorada e tentar descobri-la é o desafio que proponho com este texto.

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Distribuição

Após vários anos analisando os matches de DNA autossômico que surgem periodicamente para mim e minhas primas maternas Fátima, Regina, Simone e Thais, comecei a observar um padrão. Esses padrões parecem sugerir como cada um de nós herdou o DNA de nossos antepassados em comum. A análise que apresento aqui é feita em cima de uma amostragem de apenas 19 desses matches que são comuns a ao menos dois de nós, mas creio que já será suficiente para comprovar meu argumento. A análise poderá apresentar alguma distorção, visto ter sido realizada a partir de dados coletados na plataforma da Genera, onde eu e minha prima Fátima temos proporcionalmente muito menos matches do que Regina e Simone. Ainda assim, creio que o argumento será interessante e não isento de fundamentação.

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Projeção

A mãe de Cora sempre dizia que o vento mexe com as crianças, que até as mais quietinhas voltam meio selvagens da rua depois de brincar. É isso que Cora sente agora, essa inquietação. Lá fora, rajadas de vento sacodem os pinheiros nos fundos de casa e passam pela lateral para se lançar contra o portão. Dentro dela, as preocupações também se agitam num turbilhão. Porque amanhã — se o dia amanhecer, se a tempestade der uma trégua — Cora vai registrar o filho. Ou talvez, e é isso que a preocupa de verdade, vá oficializar quem ele vai se tornar. Cora jamais gostou do nome Gordon. O jeito como começa com um estalo, que lembra uma bala rígida quebrando na boca, e termina com um baque, como se alguém largasse uma bolsa pesada no chão. Gor-don. Porém o que mais a incomoda é que agora ela vai ter de verter a bondade do filho nesse molde, na esperança de que ele seja forte o bastante para encontrar seu próprio formato dentro disso. Porque Gordon é um nome que passa de geração em geração na família do marido, e parece que é impossível ser de outro jeito.

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