Eu já comentei aqui no blogue que a plataforma MyHeritage é minha preferida para manutenção da árvore familiar e para análise de DNA, e é por isso que faço questão de pagar pela assinatura anual, embora reconheça que, se praticassem um valor amigável, poderiam atrair mais brasileiros interessados pela Genealogia. Nos últimos meses, a plataforma tem sinalizado com novas tecnologias que parecem fazer valer cada centavo da assinatura. Uma dessas tecnologias – a Scribe-AI – teve parte de seu potencial analisado aqui em texto anterior. As outras, por enquanto, eu chamaria de promessas, e elas foram apresentadas no último evento da RootsTech por Gilad Japhet, o CEO da empresa. Elas têm relação com a Genealogia Genética e parecem realmente inovadoras.
A primeira delas já foi divulgada no fim do ano passado e diz respeito à nova tecnologia que a plataforma já está aplicando na analise do DNA de novos clientes: o sequenciamento completo do genoma, do inglês Whole Genome Sequencing (WGS). Pelo WGS, a empresa agora analisa 3 bilhões de marcadores (SNPs) em lugar dos 700 mil que o mercado ainda oferece de modo geral. Essa novidade promete trazer maior precisão nos matches e nos painéis de ancestralidade genética. Ainda neste ano, a MyHeritage promete refazer a imputação e o faseamento de todos os 10 milhões de kits de sua base, o que deve eliminar erros crassos como os de ter um match que não aparece também para seus antepassados diretos (pais ou avós). Na imagem abaixo, demonstro um caso assim, em que um match aparece para minha prima de primeiro grau, mas não para outro kit meu que também está na plataforma. Só nos resta esperar para ver o resultado.

A segunda promessa tem ares de ficção científica e se chama Artifact DNA. A ideia é simples: extrair DNA que antepassados já falecidos deixaram em objetos como selos e envelopes. Considerando que o DNA é uma molécula bastante sensível e que se degrada quando exposta à umidade, altas temperaturas e outras condições adversas, podemos imaginar a complexidade envolvida no desenvolvimento dessa tecnologia e o custo que poderá ter para o usuário final quando estiver disponível. De qualquer forma, o CEO Japhet declarou que a tecnologia está bem avançada e que houve cinco casos de sucesso, entre eles o da recuperação do DNA de um compositor falecido em 1951 a partir do DNA que ele havia depositado ao lamber um selo que colou em uma carta. Comece a procurar desde já as cartas de seus avós e bisavós!
José Araújo é genealogista.