Tragédia

Suicidou-se em Valença, desta província, D. Maria Pereira Ramos, esposa do lavrador Pedro Gomes de Moraes. A infeliz senhora vivia sumamente desgostosa por haver enlouquecido uma sua filha.

O Mercantil, 14/01/1885

Essa nota curta, de apenas dois parágrafos, traz uma riqueza de informações que não ficam evidentes ao leitor que ignore os factos relacionados às pessoas nomeadas.

Pedro Gomes de Moraes foi meu trisavô materno, mas Maria Pereira Ramos não foi minha trisavó, pois meu bisavô João Pereira Belém foi nomeado como filho natural de Joaquina da Conceição em sua certidão matrimonial de 1900. A identidade de seu pai seria revelada apenas no registro de dois filhos temporões – Oscar (1901) e Esmeralda (1903) – que João teve com minha bisavó Theodora.

A nota confirma, portanto, que Maria era mesmo a esposa oficial de Pedro e que ambos viviam em Valença, local onde foi registrado, em dezembro de 1775, Manoel, o terceiro filho identificado do casal. O primeiro filho de Pedro e Maria foi registrado em Bananal de Itaguaí, Rio de Janeiro, em maio de 1854 e era homônimo de meu bisavô, que nascera seis anos antes na mesma localidade, segundo informa a já citada certidão matrimonial de 1900.

A mesma nota informa que Maria era “esposa de Pedro Gomes de Moraes” – e não sua viúva -, portanto meu trisavô Pedro faleceu após 1885. Suspeito que ele tenha falecido em 28/09/1891, pois consta num dos livros-índices de Valença, de difícil leitura, o que parece ser a indicação do registro – ainda não localizado – do óbito de um Pedro Gomes de Moraes.

Finalmente, a nota transcrita inicialmente informa que o casal Pedro e Maria teria tido ao menos mais uma filha, o que não exclui a possibilidade de haver outros além dos quatro já identificados. O triste destino dessa filha, doente e órfã de mãe, ainda segue desconhecido.


José Araújo é genealogista.

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