Aparências

Neste segundo texto da série que dediquei à proposta de uma Genealogia que recrie a vida cotidiana dos antepassados, tratarei de aspectos de que muitas vezes não se encontram referências: os elementos que compunham o ambiente doméstico dessas pessoas – suas residências e mobiliário – e a forma como elas se apresentavam na vida privada e pública – sua indumentária. Pretendo tratar desses elementos em relação à vida cotidiana de Ana de Oliveira, filha de Afonso Mendes, cirurgião-mor da corte portuguesa que chegara com a família a Salvador em 1557 acompanhando o governador-geral Mem de Sá e lá foi denunciado 34 anos depois pela prática de costumes judaicos.

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Vida

É minha opinião que a Genealogia deva ir além do inventário de nomes, datas e locais – que podemos extrair de registros paroquiais, civis e legais – para recriar a ambiência e a vida cotidiana de nossos antepassados. Reconheço que isso nem sempre seja possível, pois, à medida que retrocedemos nos séculos, fontes primárias como cartas, diários e relatos de viajantes, que nos dariam um gosto da vida passada, podem inexistir. É por isso que considero uma preciosidade a obra epistolar publicada em 1655 pelo viajante inglês Richard Flecknoe. Ela será tema do primeiro e segundo textos de uma série que publicarei aqui no blogue nas próximas semanas.

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Aposta

Suspeitar de que compartilhamos um antepassado específico com um primo genético (match) apenas porque ele tem determinado sobrenome pode ser um caminho certo para o equívoco. Recentemente tive uma experiência que parece respaldar essa afirmação quando descobri um match na plataforma Genera chamado Lucas Salles. Experiências prévias relacionadas a esse sobrenome me levaram a acreditar que ele fosse descendente de João Pinheiro de Souza (1719-1782), que foi meu sexto-avô materno. O sobrenome Salles parece ter sido adotado – por razões ainda ignoradas – na descendência desse patriarca a partir de seu neto Francisco de Salles Pinheiro e Souza e depois usado em combinações como Salles de Moraes, Salles Pinheiro de Moraes e Salles Amorim. Trata-se de uma família em que houve notável endogamia, o que aumentou a carga genética do patriarca em sua descendência, chegando até mim por minha tetravó Maria Teresa da Paz (1791-1855), que foi neta dele.

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