Benin

O tráfico transatlântico deslocou de forma violenta mais de 12 milhões de seres humanos da África para as Américas e Europa. Desse total, estima-se que dois milhões não chegaram a desembarcar, tendo falecido no mar, para não mencionar que se desconhece o número dos que morreram nos deslocamentos dentro do próprio território africano. A quase totalidade desses sequestrados que desembarcou nas Américas jamais voltou a pôr os pés em seus territórios de origem e, em homenagem a eles, se instalou, na cidade de Uidá, no Benin, país da África Ocidental, um monumento chamado Porta do Não-Retorno. Não por acaso, Uidá teve um dos portos mais importantes e movimentados no tráfico transatlântico de africanos escravizados. E vem do Benin uma iniciativa que tem, entre outros vieses, um de reparação histórica pelo resgate do pertencimento para os descendentes dos sobreviventes dessa violência.

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Sociedade

Lino Lopes de Mattos, bacharel formado na Faculdade dos Sagrados Cânones pela Universidade de Coimbra e Pároco Colado da Freguesia da Conceição de Nossa Senhora de Guarapiranga, certifico que a presente Tábua está conforme com o estado presente da população desta freguesia em todas as distinções e declarações que vão nela, para cujo fim mandei fazer os exames que foram possíveis. Guarapiranga, 31 de dezembro de 1797, Lino Lopes de Mattos.

Assim descreve o pároco Lino Lopes o documento que mandou produzir para informar do censo populacional da freguesia de Guarapiranga, termo de Mariana, na província de Minas Gerais, nos últimos anos do século XVIII. Já tratei dessa freguesia em outro texto no qual abordei um ramo de minha família materna que lá se fixou após migrar de Taubaté, São Paulo, na primeira metade do referido século, provavelmente seguindo a promessa de riquezas – ouro e pedras preciosas.

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Arrobas

Em texto anterior, apresentei uma hipótese para a filiação de meu antepassado Miguel Veloso de Carvalho (ca. 1682- ca. 1760), que seria filho de João Veloso de Carvalho e de uma filha de Fernando Muniz Barreto e Maria Machado cujo nome ainda é ignorado. João Veloso parece ter sido um homem de muito poder na freguesia de Santo Antônio de Jacutinga, no Recôncavo da Guanabara, pois foram encontrados inúmeros registros paroquiais de batismo e casamento de pessoas escravizados que a ele pertenciam. Outro fator que parece atestar seu poder tem relação com a compra de terras que ele realizou em 19 de abril de 1671 e que foi registrada em uma escritura pública transcrita cem anos depois a pedido de Cristóvão de Souza Araújo. O documento que contém essa transcrição se encontra digitalizado e disponível para consulta no Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN) com a notação BI.15.2029. É dele que extraio o texto que apresento em seguida e que analiso pelo valor que apresenta para a compreensão de aspectos sociais e econômicos da vida local e em especial da vida desse meu antepassado.

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