Pista

Nem sempre os resultados dos testes de genealogia genética se revelam úteis de imediato para a resolução de problemas existentes nas árvores genealógicos dos testados. E certamente a realização de um teste apenas pode não trazer nenhuma luz mesmo no longo prazo. O segredo é testar o máximo possível de parentes de diferentes graus (irmãos, primos) e gerações (tios, pais, avós), pois esses parentes podem ter herdado aqueles genes específicos que nos trarão pistas a partir das correspondência com outras pessoas testadas com quem haja um antepassado em comum.

O ramo materno de minha árvore familiar apresenta três grandes áreas mal mapeadas por conta de meus bisavós terem sido filhos naturais, isto é, não reconhecidos por seus pais. Em quase todos os seus assentos de batismo constam apenas os nomes de suas mães. Não fosse a descoberta de provas a respeito da paternidade de um de meus bisavós, eu teria quatro áreas não mapeadas.

As áreas que permanecem mal mapeadas são estas:

  • O pai de minha bisavó Theodora Maria da Conceição (mãe de meu avô materno)
  • O pai de meu bisavô Arthur Rabello Guimarães (pai de minha avó materna)
  • O pai de minha bisavó Argemira Pereira da Silva (mãe de minha avó materna)

O pai de Theodora Maria é ao menos declarado na certidão de nascimento de dois dos filhos dela: Felipe Rangel. Theodora teria nascido em Bananal de Itaguaí, hoje Seropédica, Rio de Janeiro, porém não se encontrou registro de Felipe. A mãe de Theodora se chamava Maria Gaspar ou Maria Laurinda da Misericórdia e o resultado do teste de DNA mitocondrial de uma prima minha revela que Maria era filha ou neta de uma mulher de origem africana.

Arthur Rabello Guimarães era filho de Julinda Dias Seabra, mas carregava o sobrenome composto de uma família de alguma projeção na localidade, a cidade de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Não há registro de que tenha sido reconhecido por seu pai, mas seu sobrenome sugere que isso possa ter acontecido.

De Argemira Pereira da Silva, mulher de Arthur, sabe-se apenas que era filha de Maria Pereira do Céu. Não se sabe se o Silva foi herdado de seus avós maternos e o facto é que ela é o ramo de que se sabe menos até agora. Meu teste de DNA mitocondrial sugere que ela também seria filha ou neta de uma mulher de origem africana.

Visto que parece que não obterei mais pistas de documentos, tenho recorrido aos testes genéticos que fiz e aos que patrocinei para os seguintes primos:

  • W., bisneto de Theodora, Arthur e Argemira
  • R., bisneta de Theodora, Arthur e Argemira
  • S., bisneta de Theodora
  • T., bisneta de Arthur e Argemira

É de correspondências entre os resultados deles, meus e de outras pessoas que espero encontrar pistas que me permitam resolver os enigmas das áreas que chamei de mal mapeadas. Uma dessas correspondências me trouxe recentemente uma evidência que parece relevante: a jovem C., filha de pai brasileiro e mãe norueguesa, foi apresentada como correspondência entre mim e minhas primas S. e T., como se vê na imagem abaixo.

Correspondências de DNA – MyHeritage

C. compartilha quase tantos cM comigo quanto com T. e até mais para esta minha prima. Para que C. seja correspondência entre mim (que sou bisneto de Theodora, Arthur e Argemira), S. (que é bisneta apenas de Theodora) e T. (que é bisneta apenas de Arthur e Argemira) deve haver um antepassado em comum que une o ramo de Theodora ao de Arthur/Argemira. Como as famílias viviam na mesma região, é possível que isso tenha ocorrido. Outro facto relevante é que C. tem em sua família o sobrenome Rangel, o mesmo do pai de Theodora. Isso pode ser uma pista real ou uma coincidência, mas não pode ser ignorado.

Já estou em contato com a família de C. e pesquisando seus antepassados do ramo Rangel (paterno), e espero que dessa pesquisa surja alguma evidência que me permita mapear ao menos um dos três ramos ainda desconhecidos.


José Araújo é genealogista.