Wernecks

Aos vinte e seis dias do mês de setembro de mil setecentos e sessenta e nove anos, nesta freguesia da Sé Catedral, pelas nove horas da noite, tudo com licença de sua Exª Mmª, receberam por palavras de presente, na forma do sagrado Concílio Tridentino e constituições, presentes as duas testemunhas abaixo nomeadas e assinadas, Inácio de Souza Werneck, filho legítimo de Manuel de Azevedo Matos, e de Antônia Ribeira, já falecida, natural e batizado na freguesia de Nossa Senhora da Borda do Campo, bispado de Mariana, com Francisca da Chagas, filha legítima do ajudante Francisco das Chagas Monteiro e de Izabel Maria da Visitação, natural e batizada na freguesia de Nossa Senhora da Candelária, como tudo me consta da provisão do juiz dos casamentos o doutor Francisco Gomes Vilas Boas, e por me não constar de impedimento algum canônico e terem se confessado, lhes […] e dei as bênçãos sendo testemunhas presentes o padre Manuel Pinto da Cunha e Pedro Nolasco de Mendonça e outras muitas pessoas que presentes se acharam, de que para constar fiz este assento por mim feito e assinado. O coadjutor Manuel Ferreira Castro

O assento matrimonial que abre este texto foi encontrado entre os livros da Sé do Rio de Janeiro e registra o enlace de de duas famílias importantes na História do sul fluminense: os Werneck, descendentes do alemão Johan Werneck (c. 1670-1722); e os Monteiro, descendentes do casal Manoel Vieira Ribeiro (1676-1743) e Luzia Monteiro (1682-?), dos quais descendo diretamente por via de minha tetravó materna Maria Tereza da Paz (1791-1855). O cônjuge Inácio, neto de Johan, casou-se com a neta de Manoel e Luzia. A imagem do assento no livro é apresentada a seguir.

Casamento de Inácio de Souza Werneck e Francisca das Chagas – Sé, RJ

Até então suspeitava de uma ligação menos direita entre os Werneck e meus antepassados diretos, mas esse casamento demonstra haver um vínculo em linha direta, pois tanto a numerosa descendência dos nubentes Inácio e Francisca quanto minha família descendemos dos Ribeiro-Monteiro, cujos antepassados mais remotos conhecidos – pelo ramo de Luzia Monteiro – estão citados na obra Primeiras Famílias do Rio de Janeiro, de Carlos G. Rheingantz (Vol. II, p. 381).


José Araújo é genealogista.